Aparentemente da noite para o dia, as restrições causadas pela Covid-19 provocaram muitas mudanças. A orientação para que as pessoas ficassem em casa também fechou as escolas de ensino fundamental e médio e as instituições de ensino superior (ES), e os educadores precisaram empregar rapidamente a “triagem” educacional para mover uma geração, desde o jardim de infância até alunos de pós-graduação, para a educação remota. Instituições educacionais em regiões tecnologicamente avançadas adotaram rapidamente uma ampla variedade de ferramentas on-line, incluindo videoconferências, aplicativos de colaboração, softwares de planejamento de projetos e armazenamento em nuvem para reunir currículo, recursos e comunicação. Dentro de semanas, a educação em todo o mundo instituiu o ensino remoto de emergência (ERE).

O ERE não é como o aprendizado on-line já existente: planejado e pedagogicamente sólido,1 que usa gerenciamento de cursos ou sistemas de gerenciamento de aprendizado (course management or learning management systems - CMS/LMS). Os CMS/LMS tradicionais são desenvolvidos com a segurança e a privacidade dos alunos em mente.2 Eles fornecem uma política de privacidade e termos de contrato claramente escritos e atendem à conformidade regulamentar. Os sistemas tradicionais oferecem suporte a um currículo planejado, aprendizado pedagógico adequado e armazenamento e classificação de notas seguros.

Por outro lado, o ensino remoto de emergência durante a Covid-19 na maioria das vezes reuniu aplicativos on-line pouco testados, que utilizam níveis indefinidos de criptografia e incluem termos de contrato que não atendem aos regulamentos de privacidade. A segurança e a privacidade dos alunos (e professores) ficaram ainda mais em risco devido à sua conexão através de redes domésticas ou públicas, geralmente usando seus próprios dispositivos pessoais.

Muitas das ferramentas on-line reunidas durante a emergência da Covid-19 são fáceis de usar,3 o que significa que professores e alunos as abraçaram rapidamente para compartilhar lições, participar de forma colaborativa e publicar tarefas.4 Isso torna mais difícil decidir se deve-se ou não adotar permanentemente essas tecnologias após a Covid-19. As instituições que optarem por fazê-lo precisarão aprovar políticas e procedimentos de privacidade para professores e alunos.

O que são dados pessoais e por que devemos nos preocupar em protegê-los?

Privacidade de dados on-line refere-se a como as entidades coletam, hospedam, armazenam, usam, compartilham e protegem os dados pessoais de um usuário. Proteger os direitos dos usuários de gerenciar e determinar como os outros lidam com seus dados pessoais é o objetivo da privacidade,5 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos declara que as entidades não devem interferir no direito de um indivíduo.6 Em conformidade com isso, em 2013, a ONU adotou O Direito à Privacidade na Era Digital.7

O direito à privacidade de dados pessoais foi codificado legislativamente em todo o mundo para impedir que indivíduos ou organizações obtenham informações de outras pessoas e a utilizem de forma antiética ou ilegal para explorá-las e causar danos. No mundo digital de hoje, em que o rastreamento da atividade de um usuário é onipresente para a experiência on-line, até mesmo uma única informação digital pode revelar dados pessoais adicionais e colocar essa pessoa em perigo. Por exemplo, um predador que possua a idade, nome de usuário ou endereço de e-mail de uma criança pode atingi-la facilmente. Com a identidade de um dispositivo, um hacker pode falsificar o dispositivo móvel de uma pessoa e receber cópias das mensagens de texto recebidas, que podem ser usadas para chantagem ou roubo de identidade. Infelizmente, sabe-se que os criminosos em posse de dados pessoais dos alunos ameaçam os alunos e as famílias com danos físicos.

Como educadores cristãos, cabe a nós seguir todas as leis de privacidade de dados em nosso próprio país para proteger os dados pessoais daqueles sob nossos cuidados de seu uso inescrupuloso e não autorizado. Deveríamos fazer isso não apenas pela conformidade regulatória, mas também porque Deus nos pede para fazer justiça e proteger os vulneráveis (Is 1:17).

Dado que os educadores e administradores educacionais devem trabalhar em um ambiente legislativo que procure proteger a privacidade dos dados das crianças, é útil entender os diferentes tipos de dados pessoais. Os dados pessoais são tradicionalmente classificados como dados vinculados ou vinculáveis. No mundo digital de hoje, identificadores eletrônicos também podem ser incluídos. O Quadro 1 fornece alguns exemplos.8

Quadro 1. Exemplos de Dados Pessoais

Tipo de Dados

Exemplos

Dados Ligados - dados que, quando vinculados a um indivíduo, podem identificá-lo

Dados tradicionalmente vinculados a uma pessoa, como nome, endereço, número de telefone, data de nascimento, número da carteira de motorista ou da identidade, dados biométricos.

Dados Passíveis de Ligação - Dados que, por si só, não podem identificar uma pessoa, mas que, se combinados com outros dados, podem ser usados para identificar a pessoa.

Local de nascimento, CEP, sexo, faixa etária, etnia, endereço de e-mail, religião.

Outros Identificadores Eletrônicos - Identificadores persistentes (referências duradouras a um recurso, como um conjunto de dados ou uma pessoa) podem ser considerados dados pessoais se puderem ser usados para identificar um indivíduo; outros identificadores digitais também podem ser vinculados a indivíduos sob certas circunstâncias.

Identificadores persistentes são frequentemente usados para personalizar a experiência digital de um usuário ou para fazer anúncio publicitário. Isso inclui itens como identidade do dispositivo, cookies ou um endereço IP (Internet Protocol). A geolocalização é outro identificador digital que geralmente pode rastrear um indivíduo de maneira confiável.

Os dados pessoais podem relacionar-se a uma área específica da vida de alguém. Em um ambiente educacional, por exemplo, os dados pessoais de um aluno incluem notas, registros escolares e informações pessoais trocadas dentro de sua experiência educacional. Os princípios de privacidade de dados mantêm uma organização responsável por proteger todos os dados pessoais em sua posse. As entidades que coletam, armazenam ou distribuem dados pessoais são responsáveis pela promulgação de políticas e procedimentos para protegê-los.9

Diretrizes de privacidade e regulamentos que afetam a educação

Os regulamentos de privacidade de dados e das crianças em todo o mundo abrangem princípios semelhantes ao percorrer uma série complexa de culturas e tradições legislativas.10 O Quadro 2 fornece três exemplos de regulamentos que tiveram impacto nos esforços regulatórios mundiais. Estão incluídas a U.S. Family Educational Rights and Privacy Act – Ferpa (Lei de Privacidade e Direitos Educacionais da Família nos Estados Unidos), a U.S. Children’s Online Privacy Protection Act - Coppa (Lei de Proteção à Privacidade On-line para Crianças dos Estados Unidos) e o EU General Data Protection Regulation – GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados da UE). Cada leitor deve familiarizar-se com os regulamentos de privacidade em sua própria região do mundo e consultar as autoridades educacionais e os consultores jurídicos ao aplicar esses regulamentos.

Quadro 2. Exemplos de Regulamentos de Privacidade de Dados11

Ferpa (U.S.)

Coppa (US)

GDPR (EU)

A quem se aplica?

Escolas e instituições de ensino superior que aceitam financiamento federal

Escolas e instituições de ensino superior que aceitam financiamento federal

Organizações que coletam dados pessoais de europeus

Quem ou o que ele protege?

Dados pessoais educacionais do aluno, incluindo registros

Dados pessoais de crianças com 12 anos ou menos (por exemplo, nome, endereço, data de nascimento, número do Seguro Social (CPF), local, endereço de IP etc.)

Os direitos do usuário de gerenciar seus dados pessoais

O que é regulamentado?

Limitações de uso de dados; permissão dos pais ou estudantes adultos para compartilhamento; duração da retenção

Requer política de privacidade publicada informando como os dados são coletados, usados ou compartilhados, incluindo a duração da retenção; requer permissões dos pais em vários níveis

Requer políticas, planos e procedimentos para coleta e gerenciamento de dados do usuário (incluindo tempo de retenção), juntamente com evidências de conformidade

Como garantir que as soluções tecnológicas estejam em conformidade?

Criptografar dados e utilizar autenticação de identidade aprimorada. Confirmar se o produto possui políticas escritas que indicam conformidade.

Verificar se o site possui uma política de privacidade claramente publicada que atenda à conformidade da Coppa.

Garantir um tratamento justo e legal dos dados; declarar a finalidade e os limites para coleta de dados, uso e transferência de dados; minimizar as quantias coletadas; garantir a precisão dos dados; especificar limitações de armazenamento; garantir a integridade e confidencialidade dos dados; ser responsável.

Riscos de não conformidade de serviços on-line

Os serviços on-line com dados do aluno podem não seguir a conformidade com a Ferpa; a escola não tem controle sobre o comportamento do usuário.

Os serviços on-line que não atendem especificamente a crianças podem não ser compatíveis com a Coppa.

O uso de serviços on-line requer a devida diligência para garantir que os serviços sejam compatíveis na coleta, armazenamento, compartilhamento e proteção de dados pessoais.

O Global Education Privacy Standard - GEPS (Padrão Global de Privacidade da Educação) incorpora padrões comuns nos quais todos os regulamentos de privacidade se baseiam. Use esta lista adaptada12 para identificar o que sua instituição precisa entender e documentar:

  • Entenda o que é e o que não é permitido com dados, com base nas leis regulatórias da sua jurisdição;
  • Seja claro sobre o motivo pelo qual você usará os dados de uma maneira específica;
  • Entenda o que a lei exige de você em relação à privacidade de dados;
  • Compreenda os padrões técnicos básicos relacionados à privacidade de dados;
  • Compreenda os regulamentos de retenção e remoção de dados;
  • Identifique quem manipulará os dados, terá acesso a eles ou será notificado se surgirem preocupações; e
  • Considere a conformidade além-fronteiras (quais países podem ser afetados).

Por que agora?

Por que os educadores devem se preocupar com a privacidade dos dados durante este período de crise? Muitos dos aplicativos on-line adotados pelas instituições educacionais durante a Covid-19 normalmente não atendem à privacidade dos dados da escola ou do aluno, pois foram feitos para uso público. Para seu crédito, eles reconheceram a necessidade do setor educacional e ofereceram temporariamente seus produtos às escolas de graça ou quase de graça. Em sua essência, no entanto, eles permanecem focados no lucro.

Vários aplicativos lançados nas escolas sucumbiram rapidamente com problemas de segurança ou privacidade.13 Correções de códigos e emendas foram aplicados. Mas, segundo o VPNoverview.com,14 as pessoas agora se preocupam com videoconferências que permitem que estranhos participem de sessões e causem estragos. Eles se perguntam se os dados privados das crianças estão sendo monetizados e expressam preocupação com uma criptografia de dados ruim ou inexistente. Eles perguntam sobre as informações que estão sendo compartilhadas, com quem e com que finalidade.

Compreendendo as vulnerabilidades da privacidade

Cabe aos administradores e professores entender as vulnerabilidades que os aplicativos on-line da web trazem para o ambiente educacional. Resumimos abaixo uma lista de vulnerabilidades que compilamos com base em nossa própria experiência e nos trabalhos de Aljawarneh15 e Dennen16:

  1. Os servidores de aplicativos baseados na web geralmente residem em vários locais ao redor do mundo, levantando problemas de privacidade.
  2. Serviços on-line “gratuitos” podem gerar receita com dados pessoais, causando conflito de interesses.
  3. Aplicativos on-line com orientação comercial, como videoconferência, armazenamento em nuvem ou aplicativos de compartilhamento de mídia, apresentam riscos à privacidade. Juntá-los aumenta esse risco.
  4. Os serviços on-line frequentemente alteram os recursos e/ou termos de serviço, o que pode criar pesadelos regulatórios.

O que a administração educacional pode fazer?

As instituições educacionais podem emergir com segurança da crise de Covid-19 e proteger a escola, seus alunos e professores criando um plano sistemático de segurança e privacidade de dados. Este não é apenas um imperativo regulatório, mas também uma consideração espiritual, pois sabemos que Deus não é um Deus de confusão (1Co 14:33). Com base em vários autores,17 fornecemos uma lista de ações que os administradores educacionais podem adotar para melhorar a privacidade de dados on-line de alunos e professores:

  • Estabelecer uma rede de profissionais jurídicos e de segurança da informação que possam aconselhar e implementar com segurança novas tecnologias. Se a sua escola for pequena, com recursos legais ou técnicos limitados, entre em contato com a sua autoridade educacional, com associações profissionais ou colegas de outros sistemas escolares para obter orientação. Levante questões de privacidade de dados com o conselho escolar, que pode contratar a assistência de profissionais da comunidade ou fornecer orientações para um plano de segurança e privacidade de dados da escola.
  • Adote um procedimento de verificação de privacidade de dados para novos softwares ou aplicativos. Pergunte como o serviço on-line coleta, compartilha, mantém e protege informações particulares. Considere quais direitos e responsabilidades pertencem à instituição educacional e ao usuário. Embora a barra lateral Etapas Simples para Iniciar a Verificação de um Aplicativo seja útil para qualquer educador, ela fornece um roteiro claro para a pequena escola que deseja examinar novos aplicativos educacionais.
  • Nomeie alguém para liderar a criação e adoção de políticas de privacidade e treinamento de usuários. As políticas devem incluir coleta de dados, gerenciamento e exclusão planejada, qualquer gravação das sessões de aula ou monitoramento dos participantes, armazenamento de trabalhos e notas dos alunos e comportamento apropriado nas configurações on-line colaborativas.
  • Inclua pais e alunos (se os alunos tiverem menos de 18 anos de idade) e estudantes adultos em discussões sobre privacidade estudantil e o que isso significa para eles (por exemplo, o direito de controlar dados sobre si mesmos: biometria, comportamento e ação como práticas religiosas, comunicação como e-mail ou voz, dados ou imagem pessoal, sentimentos ou pensamentos pessoais, movimentação no espaço público, associações com outros).
  • Compartilhe com pais ou alunos adultos as medidas que a instituição educacional está tomando para proteger os alunos. Informe-os sobre as tecnologias ou sites utilizados, bem como os casos em que a instituição assinou acordos de consentimento em favor dos alunos. Solicite apoio dos pais ou estudantes adultos para a política de privacidade da escola a fim de diminuir riscos, como cyberbullying ou disseminação não autorizada de informações pessoais de alunos e professores.
  • Desenvolva e forneça aos pais ou alunos adultos um compromisso institucional com a privacidade, como este exemplo: https://studentprivacypledge.org/privacy-pledge/.
  • Explique como o contexto (uso privado versus uso educacional) determina as maneiras pelas quais um aplicativo deve ser usado e os comportamentos que os alunos (e professores) devem seguir no ambiente educacional.
  • Compartilhe dicas com pais ou alunos adultos sobre como manter a privacidade no ambiente educacional doméstico (por exemplo, desative dispositivos de assistência por voz, como Alexa®, Google Assistant® ou Siri®, que possam estar ativos no ambiente; certifique-se de que a tela do aluno esteja livre de guias abertos ou arquivos visíveis antes de uma videoconferência ou compartilhamento de tela).

O que professores do ensino médio ou professores universitários podem fazer?

A lista a seguir, coletada de quatro autores,18 fornece exemplos de etapas que professores do ensino médio e professores universitários devem seguir para proteger a privacidade dos alunos ao utilizar aplicativos on-line.

  • Compartilhe o compromisso de privacidade da sua instituição e as diretrizes de privacidade da sala de aula on-line com pais e alunos adultos.
  • A gravação das aulas deve ser feita apenas se a política da escola permitir. Nesse caso, solicite permissão dos pais ou do participante (se for maior de 17 anos). Anuncie qualquer gravação antes de cada sessão, incluindo como um aluno pode participar silenciosamente. Remova os dispositivos ativados por voz das proximidades do seu computador ou tablet e peça aos alunos ou pais que façam o mesmo.
  • Use apenas tecnologias que foram examinadas e aprovadas por sua instituição. Esteja ciente de que, ao exigir que um aluno use uma plataforma de mídia social que ele já usa em particular, ele pode precisar alterar suas configurações de privacidade para ser compatível com os propósitos educacionais.
  • Aprenda a usar os recursos de segurança e privacidade das tecnologias escolhidas. Na crise de Covid-19, os bombardeiros do Zoom (estranhos indesejáveis) invadiram as aulas on-line e defesas de dissertação porque os recursos da sala de espera e da senha que controlam a permissão de entrada não foram utilizados e o compartilhamento de tela não foi desativado.
  • Discuta a privacidade on-line com os alunos para garantir que eles não apenas exerçam protocolos de privacidade adequados enquanto participam das aulas on-line, mas também entendam sua importância.

Ensinando os alunos sobre privacidade

Ao ensinar adolescentes e jovens sobre privacidade on-line, reconheça que suas opiniões são diferentes das dos adultos mais velhos. Três estudos feitos em conjunto mostram como os alunos percebem a privacidade on-line e o que os professores podem fazer para envolvê-los na discussão sobre o assunto. Com base nos resultados desses estudos,19 os adolescentes tendem a:

  • visualizar a privacidade em termos transacionais (por exemplo, não há problema em renunciar a uma certa quantidade de privacidade pela conveniência de um serviço visto como confiável e com valor estabelecido);
  • ver a privacidade não como uma questão regulatória, mas como uma responsabilidade pessoal;
  • sentir-se confiantes em sua capacidade de gerenciar sua própria privacidade on-line;
  • ter pouca preocupação com a privacidade ao usar aplicativos on-line para fins educacionais, a menos que tenham sido afetados negativamente.

Das mesmas fontes,20 reunimos ideias que professores do ensino médio ou professores universitários podem considerar para envolver os alunos em discussões sobre privacidade de dados. Os professores podem usar o aprendizado experimental para explorar com os alunos:

  • como os algoritmos de recuperação de informações podem ser politizados (por exemplo, pesquisar uma posição em um argumento leva a menos fontes com visões alternativas);
  • como suas informações pessoais podem levar à criação de perfis para fins de monetização (preços diferentes para diferentes usuários com base no padrão dos dados);
  • exemplos de como eles compartilharam inadvertidamente e-mails, localização ou outras informações pessoais ao usar um único dispositivo para a vida escolar e particular; e
  • quais informações pessoais estão sendo compartilhadas em aplicativos populares, com quem e se estão sendo indexadas e arquivadas e por quanto tempo.

Adote novas tecnologias e promova uma cultura sustentável de privacidade de dados

A educação mudou. Devido à pandemia, as instituições de ensino fundamental e médio e ensino superior adotaram “temporariamente” medidas de emergência que colocam em movimento um nível de compromisso on-line nunca antes experimentado em uma setor tão amplo de alunos e professores. Algumas partes do experimento no ensino remoto de emergência falharam e provavelmente não serão repetidas. Mas a experiência geral expôs professores e alunos a uma ampla variedade de aplicativos on-line populares e fáceis de usar em um ambiente educacional.

As instituições educacionais devem agora escolher se querem ou não abraçar esta nova oportunidade de forma mais permanente à medida que insurgem da Covid-19. Por razões éticas e regulamentares, elas devem considerar cuidadosamente como fazê-lo de forma segura, de maneira a proteger a privacidade dos usuários. Professores e administradores de instituições educacionais baseadas na fé entendem essa responsabilidade em termos do valor incomensurável de um aluno aos olhos de Deus (Mt 18:2-6, 10). Todos os esforços que eles fazem para proteger os dados pessoais dos alunos e, assim, proteger os próprios estudantes podem ser considerados como se estivessem fazendo isso por Jesus (Mt 25:40). Será necessária uma comunidade educacional inteira (administradores, professores, especialistas em tecnologia e direito, pais e alunos) para criar uma cultura sustentável de privacidade dos alunos. Se os serviços on-line públicos ou empresariais forem convidados a permanecer nessa comunidade educacional, eles deverão demonstrar que atendem aos padrões éticos e regulamentares de segurança e privacidade.

Este artigo foi revisado por pares

Annette Melgosa

Annette Melgosa, EdD, é analista de Planejamento Estratégico e Pesquisa para Serviços de Tecnologia da Informação da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.

Ernest Staats

Ernest Staats, MSIA, é diretor técnico de Proteção de Dados da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia e diretor de Segurança da Tecnologia da Informação para Clientes Globais da Network Paladin, LLC, em Atlanta, Geórgia, Estados Unidos.

Citação recomendada:

Annette Melgosa e Ernest Staats, “Protegendo a Privacidade dos Alunos: Aprendendo com Covid-19”, The Journal of Adventist Education 82:2 (abril a junho de 2020). Disponível em: https://jae.adventist.org/pt/2020.82.2.3.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. Charles Hodges, et al.. “The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning,” Educause Review (27 de março de 2020). Disponível em: https://er.educause.edu/articles/2020/3/the-difference-between-emergency-remote-teaching-and-online-learning.
  2. Shadi A. Aljawarneh, “Reviewing and Exploring Innovative Ubiquitous Learning Tools in Higher Education.” Journal of Computing in Higher Education 32 (2020): p. 61. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s12528-019-09207-0.
  3. Jessica Ruf, “‘Spirit-Murdering’ Comes to Zoom: Racist Attacks Plague Online Learning,” Diverse: Issues in Higher Education 37:4 (16 de abril de 2020). Disponível em: https://diverseeducation.com/article/171746/.
  4. Gerrit De Vynck and Mark Bergen. “Google Classroom Users Doubled as Quarantines Spread,” Bloomberg/Quint (atualizado em 10 de abril de 2020). Disponível em: https://www.bloombergquint.com/business/google-widens-lead-in-education-market-as-students-rush-online.
  5. UNESCO. Keystones to Foster Inclusive Knowledge Societies: Access to Information and Knowledge, Freedom of Expression, Privacy, and Ethics on a Global Internet (Paris: Unesco, 2015), p. 60. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000232563?posInSet=3&queryId=281fd075-9301-40eb-8bce-75ce81ab21e6.
  6. Ibid., 56.
  7. Ibid., 57.
  8. Os exemplos usados no Quadro 1 vêm das experiências pessoais dos autores deste artigo e dos dois trabalhos a seguir: Bridge Corp, “PII vs. non-PII Data: What the Heck Is the Difference?” Disponível em: https://www.thebridgecorp.com/pii-vs-non-pii-data/; Michael Sweeney e Karolina Lubowicka, “What Is PII, Non-PII, and Personal Data?” (última atualização em 2 de abril de 2020). Disponível em: https://piwik.pro/blog/what-is-pii-personal-data/.
  9. Michael Durand, “To Better Protect Student Data, Know the Difference between Security and Privacy,” EdTech: Focus on Higher Education (20 de fevereiro de 2020). Disponível em: https://edtechmagazine.com/higher/article/2020/02/better-protect-student-data-know-difference-between-security-and-privacy.  
  10. UNESCO, Keystones, 56.
  11. No Quadro 2, sintetizamos pontos-chave relacionados a Ferpa, Coppa e GDPR. Embora os regulamentos reais possam ser facilmente encontrados on-line, essas fontes fornecem bons resumos de cada um: Alexander R. Schrameyer et al., “Online Student Collaboration and FERPA Considerations,” TechTrends 60 (2020): p. 543-544. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11528-016-0117-5; “Understanding Child Data Privacy for Distance Learning,” IEEE Innovation at Work. Disponível em: https://innovationatwork.ieee.org/understanding-child-data-privacy-for-distance-learning/; Renata Mekovec e Dijana Peras. “Implementation of the General Data Protection Regulation: Case of Higher Education Institution,” International Journal of e-Education, e-Business, e-Management and e-Learning 10:1 (2020): 104, 105. Disponível em: http://www.ijeeee.org/vol10/524-CN010.pdf; Lisa W. Schifferle. “COPPA Guidance for ED Tech Companies and Schools During the Coronavirus” (9 de abril de 2020). Disponível em: https://www.ftc.gov/news-events/blogs/business-blog/2020/04/coppa-guidance-ed-tech-companies-schools-during-coronavirus; “Understand What Is Personal Information under COPPA,” Amelia Vance (10 de novembro de 2017). Disponível em: https://youtu.be/JbU0bNzqi-4.  
  12. Access 4 Learning Community, “Global Education Privacy Standard (GEPS)”. Disponível em: https://privacy.a4l.org/geps
  13. Estes artigos fornecem exemplos de alguns dos aplicativos on-line para os quais as escolas recorreram durante a Covid-19, bem como exemplos de como alguns desses produtos tiveram problemas de privacidade: De Vynck e Bergen, “Google Classroom Users Doubled as Quarantines Spread”; Ruf, ‘Spirit-murdering’ Comes to Zoom; Alex Konrad, “All Eyes on Zoom: How the At-Home Era’s Breakout Tool Is Coping With Surging Demand – And Scrutiny,” Forbes (30 de maio de 2020). Disponível em: https://www.forbes.com/sites/alexkonrad/2020/04/03/all-eyes-on-zoom-how-the-at-home-eras-breakout-tool-is-coping-with-surging-demand-and-scrutiny/#48e3f28e57f3.
  14. PR Newswire, “VPNoverview.com: People Working from Home Often Concerned with Privacy Aspects of Video Conferencing Software” (2 de abril de 2020). Disponível em: https://www.prnewswire.com/news-releases/vpnoverviewcom-people-working-from-home-often-concerned-with-privacy-aspects-of-video-conferencing-software-301033982.html.
  15. Aljawarneh, “Reviewing and Exploring Learning Tools,” p. 58.
  16. Vanessa P. Dennen, “Technology Transience and Learner Data: Shifting Notions of Privacy in Online Learning.” The Quarterly Review of Distance Education 16:2 (2015): p. 45, 49, 51.
  17. As ideias apresentadas na lista com marcadores foram recolhidas a partir destes artigos, que apresentam uma boa visão geral de como as instituições de ensino podem proteger a privacidade de professores e alunos: Matthew J. Bietz et al., “Privacy Perceptions and Norms in Youth and Adults,” Clinical Practice in Pediatric Psychology 7:1 (2019): 9; Dennen, “Technology Transience and Learner Data,” 56; Megan Mann, “Coronavirus (Covid-19) Guidance for Schools,” National Association of Independent Schools (1o de maio de 2020). Disponível em: https://www.nais.org/articles/pages/additional-covid-19-guidance-for-schools/#remote; Schifferle, “COPPA Guidance for ED Tech Companies”; Rachel L. Finn, David Wright e Michael Friedewald, “Seven Types of Privacy,” in European Data Protection: Coming of Age, Serge Gutwirth, Ronald Leenes, Paul de Hert e Yves Poullet, eds. (Netherlands: Springer, 2013), p. 3-32.
  18. As ideias apresentadas na lista com marcadores foram recolhidas a partir destes artigos, que juntos contêm várias dicas úteis sobre como professores da educação básica e professores universitários podem proteger sua própria privacidade e a dos alunos: Patrick L. Austin, “‘We Learned a Lesson.’ Zoom’s CEO Wants You to Trust the Company Again.” Time (8 de abril de 2020). Disponível em: https://time.com/5816075/zoom-privacy; Dennen, “Technology Transience and Learner Data,” p. 52-55; Mann, “Coronavirus (Covid-19) Guidance;” Ruf, “Spirit-murdering’ Comes to Zoom.”
  19. Juntos, esses três estudos apresentam uma visão coesa das atitudes dos alunos em relação à privacidade on-line. Eles também fornecem informações sobre como os professores podem envolvê-los em discussões sobre privacidade: Bietz et al., “Privacy Perceptions in Youth,” 93, 99-100. Disponível em: doi.org/10.1037/cpp0000270; Margaret S. Crocco, et al., “‘It’s Not Like They’re Selling Your Data to Dangerous People’: Internet Privacy, Teens, and (Non-) Controversial Public Issues,” The Journal of Social Studies Research 44 (2020): 25, 26. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0885985X1930172X; Dennen, “Technology Transience and Learner Data,” p. 46, 54-56.
  20. Ibid.