John Wesley Taylor V

Teste ou trilha:o caminho para a disciplina redentora

Numa manhã, eu estava à procura de uma nova experiência para a minha rotina de exercícios. Eu havia ouvido falar de uma trilha que atravessava arbustos de amora e subia por entre árvores do tipo manzanita e pinheiros ponderosa. A parte mais difícil diziam ser uma subida longa e íngreme conhecida como “colina cardíaca”.

Felizmente, a trilha era bem visível, e a primeira parte era uma subida suave. Eu fiz uma curva e, em uma coluna com uma inclinação estranha, vi a placa. Talvez ela tivesse sido entalhada por alguém com um humor excêntrico, ou quem sabe fosse fruto de um ato falho. Mas a placa em vez de dizer “trilha” (trail) dizia “teste” (trial).

O que aprendi com isso? Com certeza, nem todas as trilhas nos levam facilmente ao destino. Ao longo dos muitos caminhos da vida, deparamo-nos com uma variedade de desafios. A maneira como vemos essas provações, entretanto, pode determinar se vamos ou não chegar ao nosso destino.

De todos os caminhos de nossa experiência, um dos mais difíceis parece ser o da disciplina. Este artigo tenta fornecer uma placa de sinalização que aponta o caminho em direção a uma visão cristã sobre a disciplina.

Disciplina, um problema?

As conclusões da pesquisa da Phi Delta Kappa/Gallup indicam que a disciplina – ou a falta dela – é um dos maiores desafios que as escolas públicas nos Estados Unidos enfrentam. Isso tem efeito dramático sobre a educação. Estudos indicam que 14% ou mais dos professores de escolas públicas nos Estados Unidos deixam a profissão após o primeiro ano, e quase a metade dos professores iniciantes abandona seu trabalho nos primeiros cinco anos. Dos que desistem, grande parte toma essa atitude por causa da gestão de sala de aula ou problemas de disciplina.

Os próprios alunos reconhecem que a forma como seus professores lidam com a disciplina tem uma relação significativa com sua eficácia na sala de aula. Por uma variedade de formas, os jovens concordaram que seus piores professores eram aqueles coercivos ou permissivos na disciplina, enquanto seus melhores professores eram aqueles exigentes e cuidadosos.

Esse problema com a disciplina não é exclusivo da era moderna. A história revela que pais e professores, há muito, têm procurado soluções para o mau comportamento dos alunos. Rousseau, por exemplo, um teórico pioneiro da adolescência, observou que um jovem pode ser “quase ingovernável”. Do Antigo Testamento vem a pergunta: “qual será o modo de viver do menino e o seu serviço?”

O que é disciplina?

A disciplina pode ser vista sob duas perspectivas opostas. A primeira é a da punição. Para muitos, na verdade, punição e disciplina são sinônimas. O foco está no comportamento externo, principalmente nas áreas de sintomas e controle. A disciplina se deteriora em um conflito com professores e alunos envolvendo-se em uma batalha de vontades.

Disciplina, no entanto, não é simplesmente o ato de punir pecadores, corrigir erros, ou mesmo prevenir maldades. No ambiente escolar, a verdadeira disciplina é um esforço para ajudar os alunos a internalizar os princípios bíblicos e alcançar a vida em abundância que Deus prometeu.

Isso nos leva à segunda perspectiva, a da instrução. Aqui a disciplina é vista como uma jornada onde os jovens são educados e onde o caráter é formado. Os professores veem seus papéis como o de desenvolver o potencial e ajudar os jovens a navegar com sucesso em águas turbulentas. Nesse modelo, a disciplina é ensinada, em vez de meramente administrada.

Em seu sentido mais amplo, a disciplina é uma expressão tangível do amor. Ela engloba tudo o que os educadores são e fazem, não tanto contra a criança, mas para a criança. A disciplina se torna um processo pelo qual eles orientam seu desenvolvimento e destino, ajudando os jovens a crescer na plenitude da pessoa que Deus quer que eles sejam.

Em essência, a disciplina cristã é disciplinar discipulando, é a conquista da lealdade consciente com princípios corretos. Jesus chamou um número de homens para ser discípulos, pessoas que com sua força e talento tinham hábitos perversos, temperamentos distorcidos e orgulho egoísta. Cristo os aceitou como eram e, por meio do exemplo, encorajamento e correção amorosa, moldou-os em pessoas comprometidas, centradas em Deus, pessoas que transformaram seu mundo.8

Qual o nosso objetivo?

Há um século, Ellen White escreveu: “O objetivo da disciplina é ensinar à criança o governo de si mesma. Devem-se lhe ensinar a confiança e direção próprias.” Consequentemente, a disciplina deve se concentrar nas restrições internas, em vez das externas; em permitir, em vez de controlar. Disciplina, portanto, não diz respeito tanto às ações que um adulto pratica, mas a ensinar crianças e jovens a fazer por si mesmos.

Por que a autodisciplina deveria ser o alvo? Autogoverno implica a presença de um processo pessoal de tomada de decisão e uma estrutura que proporcione estabilidade na vida de uma pessoa. Os jovens assim capacitados crescem até a idade adulta com objetivos definidos, em vez de vagar sem rumo pela sociedade porque eles nunca aprenderam a tomar decisões morais.

O objetivo da disciplina, então, é desenvolver nos alunos a capacidade e disposição para assumir responsabilidade por sua própria vida. Eles aprendem a pensar e agir por si mesmos, a se esforçar conscientemente para conhecer a vontade de Deus e viver de acordo com Seus princípios. No processo, eles aprendem autocontrole e autoconfiança, os sinais de pare e siga na vida. Na verdade, a vida disciplinada não é outra coisa senão a expressão visível do amor e respeito por Deus, pelos os outros e por si mesmo.

O sucesso dos educadores em ajudar seus alunos a alcançar o objetivo de autogestão, no entanto, depende da maneira como eles abordam a disciplina. Há um número de perspectivas que produzem resultados diferentes. Consideraremos cinco delas: disciplina autoritária, permissiva, bombástica, democrática e redentora (veja a Figura 1).

A abordagem autoritária

Em 1831, Jacob Abbott, num discurso perante o Instituto Americano de Instrução, defendeu que os alunos devem ser submissos à vontade de seus professores, que foram obrigados a impor rigorosamente a obediência. Nós, certamente, já estamos bem à frente dessa filosofia. Será?

A disciplina autoritária pode ser descrita como autocrática - exigente, autoritária e restritiva. Ela busca atingir o controle e obrigar a conformidade. Pouca atenção é dada às necessidades do aluno, que se vê obrigado a obedecer: “Ou você obedece ou então...” O adulto autoritário depende fortemente da punição.

As primeiras pesquisas realizadas por Lippitt e White analisaram o comportamento de meninos sob um sistema autoritário. Eles descobriram que a resposta dos jovens era submissão servil ou agressão flagrante. Além disso, os meninos trabalhavam efetivamente apenas quando o líder estava presente.

As deficiências dessa abordagem logo se tornam evidentes. Enquanto um professor autoritário pode produzir alunos bem treinados, quando eles alcançam a maturidade, essas pessoas rigidamente controladas muitas vezes não têm a capacidade de decidir ou agir por si mesmas. Elas não se encontram preparadas para a vida e muitas vezes rumam em direção ao destino errado.

O professor que busca desenvolver a capacidade de seus alunos para o governo de si mesmos não deve quebrar sua vontade ou diminuir sua capacidade de tomada de decisão. Agir assim frustra o objetivo da disciplina cristã. Esses indivíduos serão posteriormente presas fáceis do poder coercivo de pessoas com motivos ulteriores.

O caráter deve ser orientado, mas não rigidamente limitado. Na Idade Média, Santo Anselmo disse muito bem: “Se você fosse plantar uma árvore em seu jardim em um espaço limitado por todos os lados de modo que a árvore não pudesse estender seus ramos, o que você encontraria quando ao final de vários anos a libertasse de seu confinamento? Uma árvore com ramos dobrados e tortos. E não seria sua culpa por mantê-la tão exageradamente confinada?”

O Criador não criou o espírito humano para ser estilhaçado e marcado por cicatrizes. Um espírito esmagado ou agredido reage com desconfiança e evasivas e pode abrigar um ódio ardente pela autoridade.

“Mas estamos apenas tentando proteger nossos alunos das más influências porque nós os amamos”, os educadores podem protestar. O controle excessivo é muito sutil. Ele se revela quando os adultos atuam com superproteção, reagem com rigidez ou se utilizam de medidas corretivas sem mostrar terna consideração para com os alunos tentando orientá-los no caminho do governo de si mesmos.

O excesso de controle é perigoso. Ellen White afirma: “Se desejardes arruinar vossa família [ou sala de aula, podemos acrescentar], continuai a governar pela força bruta e certamente tereis êxito.” Enquanto professores e administradores possuem autoridade, eles devem, de forma sensata, afirmar seu poder tendo em mente o bem-estar eterno de seus alunos. Sem amor, a autoridade se transforma em opressão.

Como deveria o educador usar sua autoridade? Para guiar, orientar e desenvolver. Todo verdadeiro professor sentirá que, caso erre, “é melhor errar pelo lado da misericórdia do que pelo da severidade.”

A perspectiva permissiva

Disciplina permissiva não é tanto um método de disciplina, mas a falta dele. James Dobson observa que, talvez, o grande desastre social do século XX tenha sido a crença de que o amor abundante faz com que a disciplina seja desnecessária.

Esse conceito, no entanto, é estranho ao próprio Deus. A Bíblia revela que Deus ama o ser humano com um amor que é maior do que a morte e, mesmo aqueles a quem Ele ama, Ele corrige. Em Sua infinita sabedoria, Deus entende que os seres humanos, a menos que tenham uma vontade santificada, inevitavelmente escolhem um caminho pecaminoso.

A permissividade é baseada em um falso conceito de liberdade e amor. Por não querer reprimir os alunos, os professores os tornam miseráveis. Eles levam os alunos a desenvolver uma vida egocêntrica que, inevitavelmente, produzirá frutos de inquietação e descontentamento. Os alunos precisam de limites. Eles buscam ordem e apreciam a justiça. O caos da disciplina permissiva é difícil de ser compreendido pelos jovens, e a falta de limites os torna inseguros.

Quando os professores não exigem responsabilidade nem respeito em sua interação com os alunos, isso prepara o palco para uma sociedade sem essas virtudes. Até mesmo uma avaliação superficial da sociedade contemporânea, em que a permissividade tem estado bem presente, revela que isso tem sido um desastre.

Um corolário da disciplina permissiva é o professor muito ansioso por poupar os alunos das consequências de suas escolhas. Esse é um desserviço para a criança, que é colocada em um ambiente artificial e ilusório e, assim, torna-se despreparada para enfrentar o mundo real. O caráter, no entanto, é desenvolvido através das dificuldades. O objetivo do educador cristão não é ensinar os alunos a evitar as dificuldades, mas ajudá-los a transformar dificuldades em degraus.

Outra variante de permissividade acontece quando os educadores persuadem, subornam, comprometem ou adiam lidar com o mau comportamento até que chegue um “momento conveniente”. Essa abordagem mostra sentimentalismo, não amor. Além disso, quando os professores “fazem arranjos” a fim de “conseguir o controle”, os resultados são apenas temporários.

Como a permissividade se alinha com o objetivo do autocontrole? Assim como acontece com a criança sob disciplina coerciva, o jovem mimado tem pouca oportunidade de aprender a tomar decisões corretas e falha em desenvolver a base da moralidade pessoal. A paciência adulta tem se degenerado em tolerância das deficiências do jovem. O que quer que seja é certo ou, pelo menos, tolerável. Esse fracasso no ensino constitui, na verdade, uma forma de abuso infantil.

Em resumo, a disciplina permissiva é a trajetória descendente de menor resistência, uma trilha cujo fim causa grande dano ao caráter, à autoestima e ao futuro da criança.

A barragem bombástica

O método bombástico de disciplina é o que derrama uma torrente de palavras iradas e ameaçadoras. Às vezes, ações dramáticas se sucedem, mas com muita frequência essas atitudes somente estimulam um novo dilúvio de ameaças vazias. Os alunos se tornam tão habituados ao barulho que ignoram as ameaças do professor. O professor deve então operar em um nível de gritos frenéticos a fim de produzir qualquer reação, uma vez que nunca pode contar com a obediência imediata.

Muitas crianças têm sido criadas sob essa disciplina do tipo “trovão e relâmpago”. Nada, porém, cresce em uma cama de lava alimentada por violentas erupções. Disciplinar sob o domínio da raiva é realmente um tipo de supercontrole que rapidamente se degenera em permissividade. O comportamento indesejável não é remediado, apenas disperso e multiplicado.

Os alunos que experimentam uma disciplina inconsistente nunca sabem o que é esperado deles. Eles se convencem de que não faz sentido sequer tentar seguir as regras. Talvez, ainda mais tragicamente, as inconsistências do adulto não forneçam nenhuma referência moral. Os jovens precisam da orientação, paz e segurança que vêm de uma previsibilidade adulta.

Ellen White observou: “Palavras ríspidas e a contínua censura confundem a criança, mas não a reformam.” Educadores não devem fazer declarações fortes antes de verdadeiramente entender a situação. É muito fácil pronunciar ameaças que ninguém gostaria de ouvir. Evite ameaças. Aja! Mas aja com intencionalidade e sensibilidade. Quando você se sentir inclinado a se exaltar, seja compassivo.

A dimensão democrática

Se a disciplina deve treinar o aluno para o governo de si mesmo, ela deve incorporar elementos democráticos. Em muitos aspectos, a disciplina democrática é superior às abordagens que discutimos acima. No estudo clássico observado anteriormente, meninos sob um sistema autoritário trabalhavam ativamente apenas quando o líder estava presente. Quando supervisionados por um líder democrático, no entanto, os meninos demonstraram cooperação e maior produtividade mesmo quando o líder não estava fisicamente presente.

O método democrático é baseado em controles internos. Isso exige que os princípios que governam a vida sejam explicados ao jovem de tal maneira que a lógica deles e a interação de causa e efeito sejam claramente percebidas. Isso irá capacitar os alunos a identificar valores positivos e usá-los para tomar decisões pessoais.

No sistema democrático, os alunos podem ajudar a estabelecer as regras da sala de aula. Isso os torna participantes na administração e tomada de decisão. Eles começam a reconhecer e aceitar as consequências de seu comportamento e assim assumem a responsabilidade por sua vida.

A disciplina democrática procura tornar a obediência atingível. Isso pode exigir o ajuste dos requisitos à capacidade do aluno. Desempenho aceitável e ação correta são colocados dentro do reino da possibilidade, e a autoestima da criança é otimizada à medida que o professor lhe possibilita oportunidades para o sucesso.

Enquanto o ponto de vista democrático é um dos mais favoráveis em ambientes seculares, há uma perspectiva adicionada dentro da educação cristã - a da redenção, a qual transforma a abordagem da disciplina da escola.

Deus demonstra um método

Crianças e jovens aprendem sobre o caráter de Deus observando seu reflexo naqueles com quem se associam. Como educadores, precisamos entender como Deus disciplina e, em seguida, demonstrar através de nossas interações o modelo divino de disciplina.

Deus não condescende com o mal, mas Ele ama o pecador. Ele Se torna intimamente envolvido com a humanidade, tomando a iniciativa de fazer a ponte entre Si e nós. Sua orientação e reprovação são expressões tangíveis desse amor: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo.” Deus nos dá liberdade para cometer erros e então transforma nossas falhas em experiências de aprendizado. Ele não nos abandona se escolhemos agir com imprudência. Ele é o “Grande Recuperador”.

Deus Se concentra na transformação em vez de na censura e condenação. Certa vez, os judeus levaram até Jesus uma mulher surpreendida em adultério, pedindo que ela fosse apedrejada. Depois de mencionar a hipocrisia dos acusadores, Jesus falou à mulher: “Nem eu tampouco te condeno.” Ele, então, acrescentou: “Vai e não peques mais.” Da mesma forma, em conversa com Nicodemos, Jesus esclareceu: “Porquanto Deus enviou seu filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”

Deus nos vê não como somos, mas como podemos nos tornar por Sua graça. Ele não desiste de nós quando os resultados não são imediatos. Na verdade, Ele corre o risco de “parecer mau” enquanto relutamos em aceitar Seu poder de nos tornar interiormente bons. Ele confia naquele que não merece confiança e continua confiando. Existe um objetivo maior para o método de Deus que supera qualquer risco. Ao nos conceder a liberdade de escolha, Ele fornece a base para a obediência fundamentada no amor, que é, em essência, a expressão do nosso autogoverno.

Deus combina disciplina e instrução. “Bem-aventurado o homem, Senhor, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei.” Ele também elogia e incentiva. De Jó, Ele disse: “Observaste meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele.” O propósito de Deus é promover o bem. “Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.” “Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina.”

Um fundamento bíblico

A disciplina redentora está baseada em princípios bíblicos. Provérbios, por exemplo, inclui pelo menos 20 passagens sobre disciplina. Dependendo da tradução, os termos para “disciplina”, “correção”, “educação” e “instrução” são muitas vezes utilizados interativamente. Faz sentido, considerando-se o contexto da linguagem original, bem como a perspectiva em que a disciplina e a instrução são elementos de todo o processo educacional.

Uma passagem abrangente aparece em Hebreus 12:5-13, da qual podemos retirar uma série de conceitos-chave:

  • O amor motiva a verdadeira disciplina (versos 5, 6). Mesmo quando os alunos são corrigidos, eles devem sentir que a penalidade foi imposta porque eles são amados.
  • A disciplina é baseada no relacionamento (versos 7, 8). Essa é uma declaração de familiaridade, uma evidência de preocupação e cuidado.
  • A disciplina deve incorporar o respeito (verso 9). Ela deve ensinar o respeito pelos outros, por si mesmo e por aqueles que exercem autoridade. O respeito, no entanto, deve ser mútuo. Os adultos não podem esperar que um jovem trate os outros com dignidade, a menos que eles sejam um modelo dessa mesma virtude.
  • A disciplina tem um propósito elevado (verso 10). Ela ajuda a preparar o aluno para a santidade e para a semelhança com Deus.
  • A disciplina é voltada para o futuro (verso 11). Ela leva em conta a eternidade.
  • A disciplina estabelece claros limites e expectativas (versos 12, 13). Ao mesmo tempo, ela é compassiva, educativa, corretiva e fortalecedora.
    Outros princípios de disciplina redentora podem ser encontrados por toda a Bíblia. Todos eles revelam que a disciplina:
  • Funciona dentro de um contexto de amor: “O que ama a seu filho, cedo, o disciplina” (Provérbios 13:24 e 3:12; Apocalipse 3:19);
  • Envolve autogoverno: “A graça de Deus... educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século sensata, justa e piedosamente” (Tito 2:11, 12; também Filipenses 2:12, 2Timóteo 1:7 e Tito 1:8);
  • É sensível ao tempo: “Castiga a teu filho enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Provérbios 19:18);
  • É personalizada: “E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo” (Judas 1:22, 23);
  • Refere-se à autoimagem: “O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma” (Provérbios 15:32);
  • É centrada na aprendizagem: “A vara e a disciplina dão sabedoria” (Provérbios 29:15; ver também Salmo 94:12 e Provérbios 1:1-7, 12:1, 15:5);
  • Procura resultados de longo prazo: “Toda a disciplina, com efeito, no momento não parece motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hebreus 12:11; ver também Provérbios 22:6); e
  • Concentra-se no destino: “As repreensões da disciplina são o caminho da vida” (Provérbios 6:23; ver também 5:23 e 10:17).

Concluímos nossa exploração dos princípios bíblicos com Efésios 6:4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” Paulo primeiramente fornece uma ordem negativa: “não provoqueis” (ARA), “não irritem” (NVI). Isso acontece quando os adultos são arbitrários e caprichosos, quando ameaçam e, então, agem de forma inconsistente, quando disciplinam com raiva e talvez ironicamente, quando não fornecem nenhuma orientação legítima. O resultado é que os alunos perdem a confiança na consideração dos adultos em relação ao seu bem-estar e se desesperam ao desenvolver a autoeficácia e o autogoverno. Eles “perdem o ânimo”.

O apóstolo agora se desloca para o lado positivo: “criai-os na disciplina”, educai-os para a maturidade. Observe que isso ocorre por meio de dois processos – disciplina e instrução. A palavra grega paideia, traduzida como “disciplina” ou “treinamento”, refere-se à educação de crianças e inclui um equilíbrio entre educação e correção. No contexto da sociedade grega, esse processo tinha a finalidade de transmitir cultura e preparar o indivíduo para o autogoverno. A palavra grega nouthesia, traduzida como “instrução” ou “advertência”, significa aconselhar, alertar, avisar. Isso implica a necessidade do jovem de orientação e a responsabilidade do educador de orientar, dirigir e incentivar.

Paulo conclui destacando o aspecto mais importante desta experiência: “mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. A disciplina redentora deve fornecer aos estudantes uma imagem mais clara de Deus, bem como trazê-los para um relacionamento mais profundo com Ele.

O remédio redentor

A disciplina redentora é uma atividade em parceria com Deus. Destina-se a ajudar os alunos a conhecer a Deus mais profundamente, compreender mais claramente Seu propósito para a vida deles e experimentar pessoalmente a salvação. Ela envolve não apenas um simples desejo por mudança de comportamento, mas também de prioridades e de fidelidade, uma vida redirecionada para Deus.

Na disciplina redentora, é Deus que muda o coração. Por meio da orientação do Espírito Santo, os seres humanos podem ser restaurados à imagem de seu Criador. Professores proporcionam um ambiente cheio do Espírito Santo a fim de que seus alunos possam conhecer a Deus pela experiência. Como representantes do caráter de Deus, eles procuram tornar tangível Seu amor e plano de salvação. Como resultado, os jovens são preparados para um fiel governo de si mesmos, tanto na Terra como nos lugares celestiais.

Em uma abordagem redentora, disciplina e amor não são antagônicos. Cada um exerce a função do outro. Deus sabe que a falta de amor ou justiça trará rapidamente o desastre. Autoridade e afeto devem ser mesclados. A justiça deve ser temperada com a misericórdia e a compaixão.

O amor, em realidade, é fundamental para a redenção. Quando os professores se espelham no amor de Deus, eles vão dar o melhor de si e amar incondicionalmente quem não merece ser amado. A criança que se sente assim amada vai viver uma vida segura e cheia de esperança.

A disciplina redentora é diferente dos outros métodos discutidos neste artigo. Quando comparada com a abordagem autoritária, por exemplo, o adulto que utiliza a disciplina redentora exerce influência em lugar de coerção. A cooperação é alcançada, e não ordenada. Em vez de um confrontante “Você faz o que eu digo!”, o professor diz “Vamos fazer isso juntos”. Em vez de defender o frágil prestígio adulto, o professor reflete sobre o que a situação exige.

A redenção baseia-se em uma abordagem completa da pessoa e assim molda as atitudes emocionais e espirituais da criança, além das cognitivas e comportamentais. Ela cultiva as afeições e promove a confiança, cooperação e compaixão.

Mesmo quando o comportamento de um jovem é inaceitável, os adultos não devem levá-lo a se sentir rejeitado. Nessas horas, por meio de suas ações, os professores devem transmitir a mensagem: “Eu o amo demais para permitir que você destrua a si mesmo e aos outros.” Isso preserva a autoestima do aluno e revitaliza sua coragem. Se o professor traça o problema da causa para o efeito, isso vai permitir à criança identificar a raiz do problema e prever futuras dificuldades. Ao chamar o pecado pelo seu nome exato, o professor não deve confundir o pecador com o pecado. Quando Deus disciplina Seus filhos, Ele não os elimina, mas os atrai para perto de Si. Esses alunos devem ser direcionados a Deus como a Fonte de perdão e de ajuda para superar hábitos destrutivos.

A disciplina que se concentra apenas na erradicação do mal está fadada ao fracasso. Pode fazer uma pessoa parecer boa, mas, na realidade, ela não será boa. O objetivo final da disciplina é o discipulado. A verdadeira disciplina não apenas protege, mas guia. Ela vence o mal com o bem. Consequentemente, a disciplina centra-se no desenvolvimento positivo. O indivíduo verdadeiramente disciplinado não é aquele que só sabe o que não deve fazer, mas aquele que recebe instrução e pratica o comportamento positivo.

Consequentemente, a disciplina redentora se concentra em observações positivas: validação, encorajamento e elogios. Embora evitando a bajulação, ela generosamente afirma atitudes e comportamentos positivos: “Muito bem, servo bom e fiel.” Ela, deliberadamente busca a oportunidade de “pegar” os alunos fazendo corretamente as coisas e oferecer um comentário positivo, embora reconheça que “toda boa dádiva... vem lá do alto”. Essa perspectiva é bíblica. Jesus, por exemplo, elogiou Maria por ter escolhido a “boa parte”. Ele distinguiu a viúva que deu uma oferta de duas pequenas moedas, a mulher que timidamente tocou Sua veste e o centurião que exclamou: “manda com uma palavra”. Ele elogiou a viúva persistente, o cobrador de impostos que sentiu sua indignidade, o serviço desinteressado do bom samaritano e o ministério de João Batista. Cada um, um exemplo convincente sobre o papel de afirmação.

Como os professores buscam resgatar, eles devem exercer tato e carinho, respeitando o sentimento dos alunos e suas necessidades para o desenvolvimento, fornecendo limites bem estabelecidos e orientação ativa. Ao cultivar uma relação de confiança, eles serão capazes de se estabelecer por meio da bondade e do amor. Incorporado em cada reprovação deveria estar a mensagem positiva: “para que você cresça”.

A chegada

Disciplina redentora não é um evento, mas um processo. À medida que os professores se estabelecem nessa jornada, eles devem ter um propósito definido em mente: “Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio.” Educadores cristãos devem se concentrar em resultados, buscando levantar uma geração de jovens que exemplificarão o caráter de seu Senhor e Salvador, agora e por toda a eternidade.

Nem todos os caminhos nos levam a esse destino. A rota pode não ser fácil, mas unicamente o caminho de Deus pode garantir o sucesso. Eu o convido a ser parceiro de Deus no ministério da disciplina redentora e, assim, transformar vidas por meio do amor redentor.

A propósito, quando cheguei ao topo da montanha e vislumbrei as serras cobertas de neve, aprendi mais uma lição: o destino pode valer tudo.

John Wesley Taylor V

John Wesley Taylor V, EdD, PhD, é diretor associado de educação na Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos. Ele é o interlocutor da Divisão Interamericana, da Divisão do Pacífico Sul, da Divisão Africana Centro-Ocidental, da Divisão Norte Asiática do Pacífico e da União Oriente Médio e África do Norte. Ele lecionou em todos os níveis, desde o básico à pós-graduação, e atuou em várias instituições ao redor do mundo: Universidade de Montemorelos (México), Instituto Adventista Internacional de Estudos Avançados (Filipinas), Andrews University e Southern Adventist University (Estados Unidos). Ele pode ser contatado por meio do endereço: taylorjw@gc.adventist.org.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. Josephine Mazzuca, “Americans List Biggest Challenges of U.S. Schools.” As conclusões da pesquisa Phi Delta Kappa/Gallup 2002. Consultado em 17 de janeiro de 2010, em: http://www.gallup.com/poll/7327/americans-list-biggest-challenges-usschools.aspx. Ver também: Frank Newport e Alec Gallup, “How to Fix High School Education: The People Speak.” Conclusões da pesquisa Gallup de 2006. Consultado em 15 de novembro de 2010, em: http://www.gallup.com/poll/24340/how-fix-highschool-education-people-speak.aspx.
  2. Richard Ingersoll e Thomas M. Smith, “Do Teacher Induction and Mentoring Matter?” NASSP Bulletin 88 (março de 2004), p. 28-40; O. Kashti, Survey: “One in Four New Teachers Leave after First Year” (2007). Consultado em 6 de dezembro de 2010, em: http://www.haaretz.com/news/survey-one-in-fournew-teachers-leave-after-first-year-1.217863; Xiaofeng Steven Liu, “The Effect of Teacher Influence at School on First-Year Teacher Attrition: A Multilevel Analysis of the Schools and Staffing Survey for 1999-2000,” Educational Research and Evaluation 13:1 (fevereiro de 2007), p. 1-16; National Commission on Teaching and America’s Future, “No Dream Denied: A Pledge to America’s Children” (New York: NCT, 2003).
  3. K. Brown e S. Wynn, “Finding, Supporting, and Keeping: The Role of the Principal in Teacher Retention Issues,” Leadership and Policy in Schools 8 (2009), p. 37-63; Education Oasis, “A Conversation With Ron Clark.” Consultado em 17 de janeiro de 2010, em: http://www.educationoasis.com/resources/Articles/ron_clark_interview.htm; R. Ingersoll, Who Controls Teachers’ Work? Power and Accountability in America’s Schools (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2003); R. Ingersoll e T. Smith, “The Wrong Solution to the Teacher Shortage,” Educational Leadership 60:8 (2003), p. 30-34; D. Shields, “Keeping Urban Teachers: A National Necessity,” Schools: Studies in Education, 6:1 (2009), p. 77-98; S. Wynn, L. Carboni, L. I. Wilson, e E. Patall, “Beginning Teachers’ Perceptions of Mentoring, Climate, and Leadership: Promoting Retention Through a Learning Communities Perspective,” Leadership and Policy in Schools 6:3 (2007), p. 209-229.
  4. J. Levy, H. Creton, e T. Wubbels, “Perceptions of Interpersonal Teacher Behavior,” in: T. Wubbels and J. Levy, eds., Do You Know What You Look Like? Interpersonal Relationships in Education (Bristol, Penna.: Falmer Press, 1993); R. Lewis, “Classroom Discipline in Australia,” in: M. Evertson e C. Weinstein, Handbook of Classroom Management (Mahwah, N. J.: Erlbaum, 2006), p. 1.193-1.214; R. Lewis e M. Lovegrove, “What Students Think of Their Teachers’ Classroom Control Techniques: Results From Four Studies,” in: N. Hastings e J. Schwieso, eds., New Directions in Educational Psychology: Behavior and Motivation in the Classroom (Philadelphia: Falmer Press, 1987), p. 93-113; G. Sabine, “How Students Rate Their Schools and Teachers,” National Association of Secondary School Principals (1971), ERIC Document Number ED052533; G. Thompson e M. Joshua, “In Retrospect: What College Undergraduates Say About Their High School Education,” The High School Journal 85:4 (2002), p. 1-15.
  5. Rousseau continuou: “Ele é um leão em sua febre, desconfia de seu guia e se recusa a ser controlado.” Citado em W. Crain, Theories of Development (Upper Saddle River, N.J.: Prentice Hall, 2005), p. 14.
  6. Juízes 13:12 (ARA). Salvo indicação contrária, todos os textos bíblicos neste artigo e nas notas finais são citações da Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada. Em inglês, copyright © 1996. Usado com permissão da Tyndale House Publishers, Inc., Wheaton, Illinois 60189. Todos os direitos reservados. Textos da Escritura creditados a NVI são da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional. Em inglês, copyright © 1973, 1978, International Bible Society. Usado com permissão da Zondervan Bible Publishers.
  7. João 10:10.
  8. Atos 17:6.
  9. Ellen G. White, Educação (https://egwwritings.org/), p. 287. A perspectiva da Sra. White sobre a disciplina pode ser encontrado no livro Educação, capítulo 34, p. 287-296.
  10. Provérbios 16:32.
  11. [Ellen G. White, op. cit., p. 17.
  12. “Sob o mesmo princípio é melhor pedir do que ordenar; aquele a quem assim nos dirigimos tem oportunidade de se mostrar leal aos princípios retos. Sua obediência é o resultado da escolha em vez de o ser da coação” (Ibid., p. 290).
  13. 1 Pedro 2:17.
  14. Gravado no First Annual Report, p. 90. Citado em: P.E. Harris, Changing Conceptions of School Discipline (Norwood, Mass: Macmillan Co., 1928).
  15. R. Lippit e R. K. White, “An Experimental Study of Leadership and Group Life.” Human Development: Selected Readings (New York: Crowell, 1966).
  16. Citado em: Gabriel Compayre e W. H. Payne, History of Pedagogy (Boston: Cushing and Co., 1885), p. 77. Também citado, com ligeiras variações terminológicas, em: F. G. Williamson e J. D. Foley, Counseling and Discipline (New York: McGraw-Hill, 1949), p. 42.
  17. Ellen G. White, Orientação da criança (https://egwwritings.org/), p. 252. White também observa: “Deve o ensino das crianças ser dirigido num princípio diferente do que governa o ensino de animais irracionais. Os animais devem apenas ser acostumados a submeter-se a seu dono, mas a criança deve ser ensinada a dominar-se. A vontade precisa ser ensinada a obedecer aos ditames da razão e da consciência. Pode a criança ser tão disciplinada que, como o animal, não tenha vontade própria, perdendo-se a sua individualidade na do mestre. Tal ensino é insensato, e desastrosos os seus efeitos. As crianças assim educadas serão deficientes na firmeza e decisão.” (Fundamentos da Educação Cristã (https://egwwritings.org/), p. 57).
  18. ______, Educação, p. 294.
  19. James Dobson, Ouse disciplinar (Editora Vida, 1994), p. 21.
  20. João 3:16; Provérbios 3:12; Hebreus 12:6.
  21. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9, ARA). Ver também Romanos 7:18-24 e Provérbios 22:15. Textos creditados à ARA são da versão Almeida Revista e Atualizada.
  22. Alguns têm sugerido que as crianças são como relógios de corda que devem receber permissão para funcionar. Embora esse conceito tenha algum fundo de verdade, também é potencialmente perigoso. As crianças não podem ser autorizadas a correr soltas. A Bíblia nos lembra: “A estultícia está ligada ao coração da criança” (Provérbios 22:15) e “A criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Provérbios 29:15). Para os alunos “manterem o ritmo”, sua mola interna deve estar anexada a algo de valor fixo.
  23. Eli é um exemplo. Embora ele protestasse com seus filhos a respeito de seu comportamento desprezível, nunca tomou medidas corretivas. Por fim, Deus rejeitou a casa de Eli especificamente porque ele falhou em levar avante ações disciplinares (1 Samuel 2:22-25; 3:12, 13).
  24. “Pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes” (2 Timóteo 3:2). Veja também Romanos 1:28-32.
  25. Jó 23:10; Provérbios 17:3; Zacarias 13:9.
  26. Atos 24:25.
  27. “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13:24). Como um jovem afirmou: “Meu pai não se importa comigo, Ele nunca me disciplinou” (Citado em: Reuben Hilde, The Rod vs. the M&M’s (Mountain View: Pacific Press Publ. Assn., 1976), p. 50).
  28. Talvez por isso Ellen White tenha escrito: “As regras devem ser poucas e bem consideradas; e, uma vez feitas, cumpre que sejam executadas. O que quer que se verifique impossível de se mudar, a mente aprende a reconhecer e a isso adaptar-se; mas a possibilidade de condescendência suscita o desejo, esperança e incerteza, e os resultados são a inquietação, irritabilidade, insubordinação” (Educação, p. 290).
  29. Ellen G. White, Conselhos aos professores, pais e estudantes (https://egwwritings.org/), p. 195. White também escreveu: “Às vezes terão [os filhos] de ser punidos, mas nunca o façais de tal maneira que eles sintam que estão sendo punidos com ira. Com tal atitude, fareis um mal ainda maior... Disciplinai-os apenas quando estiverdes sob a disciplina de Deus... Não permitais que sigam seu próprio caminho até que estejais irados e então os castigueis. Tal correção só ajuda o mal, em vez de remediá-lo. Irar-se com a criança que erra é aumentar o mal” (Orientação da criança, p. 154, 155).
  30. “Quem é irritadiço faz tolices” (Provérbios 14:17, NVI).
  31. Lippit and White, “An Experimental Study of Leadership and Group Life,” Human Development: Selected Readings, op. cit.
  32. Ellen White observa: “As regras que governam a sala de aulas devem quanto possível representar a voz da escola. Todo princípio nelas envolvido deve ser posto diante do estudante de tal maneira que ele possa convencer-se de sua justiça. Assim ele sentirá a responsabilidade de fazer com que as regras que ele próprio ajudou a formular sejam obedecidas” (Educação, p. 290).
  33. Deuteronômio 8:5. Ao explorar o tema da abordagem divina para a disciplina, sou grato por um seminário criterioso sobre o tema apresentado por Richard Winn, bem como por conversas posteriores com o meu colega Dennis Blum.
  34. Jeremias 30:11; 46:28.
  35. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).
  36. Lucas 13:34; Marcos 10:16; Oséias 11:3.
  37. Apocalipse 3:19. E também: “Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem” (Provérbios 3:12).
  38. Salmo 16:11.
  39. João 8:11.
  40. João 3:17.
  41. William Glasser, psiquiatra e autor de vários livros sobre a teoria da escolha (por exemplo, Choice Theory: A New Psychology of Personal Freedom, Harper, 1999; e Choice Theory in the Classroom, Harper, 1998), afirma que a escolha pessoal é fundamental para qualquer relacionamento, incluindo o de professores e alunos. Ele observa que os professores muitas vezes assumem que as pessoas podem ser forçadas por meio de ameaça, da punição ou da recompensa para fazer coisas que não querem fazer, o que reforça a tendência deles de coagir e aplicar controle externo, produzindo frustração e miséria. A escolha, no entanto, é coerente com a regra de ouro de que fazemos para os outros o que gostaríamos que fosse feito a nós mesmos. Na sala de aula, essa abordagem se traduz em aprendizagem em equipe, que enfatiza o fato de pertencer, a liberdade individual, a interação significativa e a satisfação pessoal. No livro Soul Shapers: A Better Plan for Parents and Educators (Review & Herald, 2005), Jim Roy continua a desenvolver o modelo baseado na escolha para a educação, comparando as ideias de William Glasser com as de Ellen White. Ele observa, por exemplo, que os professores não podem controlar as crianças. Eles só podem ensiná-las a controlar a si mesmas. Ele, então, ilustra como uma abordagem não coerciva leva os alunos para além do cumprimento de má vontade para se tornarem indivíduos comprometidos e automotivados. Veja também a Revista Adventista com o tema “Escolas de qualidade” (fevereiro/março de 2007) e o artigo na página ??? desta edição.
  42. Salmo 94:12.
  43. Jó 1:8.
  44. Hebreus 12:10; também 1 Coríntios 11:32.
  45. Jó 5:17.
  46. Em inglês, na versão NLT (New Living Translation), por exemplo, o termo “disciplina” (discipline) aparece nas seguintes passagens do livro de Provérbios: 1:2, 3, 7; 3:11; 5:12; 6:23; 10:17; 12:1; 13:1, 24; 15:5, 10, 32; 16:22; 19:18; 20:30; 22:15; 23:13, 14, 23; 29:15, 17; 29:19. Na versão NIV (New International Version), em inglês, o termo aparece em 1:2, 3, 7; 3:11, 12; 5:12, 23; 6:23; 10:17; 12:1; 13:18, 24; 15:5, 10; 15:32; 19:18; 22:15; 23:13, 23; 29:17.
  47. Deuteronômio 4:9; 6:4-9.
  48. Romanos 13:7.
  49. Colossenses 3:21.
  50. Do grego ektrepho. Também encontrado em Efésios 5:29.
  51. Também encontrada em 2 Timóteo 3:16; Hebreus 12:5, 7, 8, 11.
  52. Também encontrada em 1 Coríntios 10:11; Tito 3:10.
  53. “O Senhor corrige a quem ama” (Hebreus 12:6).
  54. João 3:16, 17.
  55. Mateus 28:18-20.
  56. Romanos 12:21.
  57. Em sua infância, Timóteo foi sabiamente disciplinado, sua mente estava cheia com o conhecimento das Escrituras (2 Timóteo 3:15). Aos 12 anos de idade, Jesus já havia se comprometido com “os negócios” de Seu Pai (Lucas 2:49).
  58. Jesus contou uma parábola sobre um homem de quem um demônio foi expulso (Lucas 11:23-26). O demônio vagou em lugares áridos e não encontrou nenhuma casa. Ele finalmente voltou para sua antiga morada para encontrá-la varrida e redecorada, mas ainda vazia. Ele rapidamente procurou outros demônios sem-teto e os convidou para morar com ele na vida limpa, mas vazia, daquele homem. Jesus disse que o último estado daquele homem era pior do que o primeiro. Veja também Mateus 22:37-40, João 13:34 e Mateus 25:31-46.
  59. Mateus 25:20-22.
  60. Tiago 1:17. Este equilíbrio é particularmente ilustrado no incidente quando Jesus perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” Ao que Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Jesus afirmou a resposta de Pedro, mas disse-lhe que a resposta lhe fora revelada pelo Pai (Mateus 16:13-17).
  61. Lucas 10:38-42.
  62. Mateus 8:8.
  63. Lucas 18:1-8; Lucas 18:10-14; Lucas 10:30-37; Lucas 5:33-35.
  64. Salmo 144:12.