Laurel Dovich

As carreiras tecnológicas e a fé:fechando a grande divisão

As carreiras de tecnologia e sua formação preparatória são tipicamente classificadas como “seculares”. Elas não são favoravelmente comparadas com o “chamado espiritual” dos pastores, obreiros bíblicos ou professores, que carregam a aura de ter a capacidade de influenciar espiritualmente os outros. Carreiras de tecnologia não são classificadas como “vocações de ajuda”, como ocupações médicas, trabalho social e ocupações de resposta a emergência, que se encaixam bem no dogma cristão de serviço. Elas não estão presas nos holofotes dos debates religiosos sobre evolução, literatura apropriada (ficção versus não ficção) ou ética nos negócios,1 nem são tipicamente associadas a desafios à fé de alguém. Seriam as vocações técnicas ocupações legítimas de um “chamado divino”? Elas têm realmente uma conexão com a fé?

Como cristãos adventistas, nunca fomos antitecnológicos como a comunidade amish. Temos uma precedência bíblica no uso da tecnologia, variando de ferramentas de moda (Gn 4:22, Is 2:4) às instruções diretas de Deus para construir uma arca (Gn 6:14-16), o uso que Deus fez da tecnologia construída pelo homem para o lugar de Sua habitação entre nós (Êx 25:8), a utilização de edifícios como Cristo fez para algumas de Suas ilustrações (Mt 7:24-27, Lc 13:4; 14:28-30). Parece claro que Deus pretendia que fizéssemos e utilizássemos ferramentas, o que está no escopo das carreiras de tecnologia. Contudo, durante toda a minha educação adventista (básica, ensino médio e universitária), os cursos relacionados à tecnologia nunca foram vinculados a uma experiência religiosa. Eles eram ensinados como assuntos seculares sem relação com nossa fé cristã.

Um sefer torá iemenita de 200 anos em gevil. Foto de Ehav Eliyahu ©. CC BY-SA-3.0 / GFDL, Wikimedia Commons, um repositório gratuito.

Embora se possa argumentar que a base do design tecnológico sejam as leis da física e da matemática, que Deus criou e mantém constantes, eu diria que as carreiras tecnológicas têm muito mais conexão com nossa fé do que geralmente se percebe, e deveríamos estar espiritualmente orientando nossos alunos nesses campos. Mas como podemos alinhar a aparente separação entre as carreiras tecnológicas e a fé?

Uma revisão de literatura em minha área de tecnologia (engenharia) mostra instrutores usando projetos de missão e serviço ou exigências de leituras externas para integrar a fé em suas salas de aula. Contudo, acredito que o testemunho pessoal da sincera conexão espiritual do professor com sua ocupação encerra a aparente lacuna entre as carreiras tecnológicas e a fé em nível pessoal para os alunos e demonstra que a conexão espiritual não é apenas o que você faz, mas também quem você é. Diante disso, usei narrativas em três categorias para transmitir a correlação que tenho feito entre minha fé e minha carreira. A primeira é a narrativa do santo chamado bíblico dos tecnólogos. Em segundo lugar, a narrativa de como a santa Palavra de Deus nos foi transmitida através dos séculos pelos portadores da tecnologia humana. E finalmente, a narrativa dos projetos criativos da engenharia de Deus, observados na natureza, classificados como “muito bons” (Gn 1:31).2

A narrativa do santo chamado bíblico dos tecnólogos

O santo chamado ao trabalho em tecnologia começa no relato da criação, na Bíblia, em que Deus criou a humanidade à Sua própria imagem. Ele também é refletido pelo chamado e ordenação que Deus concedeu aos artesãos (tecnólogos) que construíram o tabernáculo.

O relato da criação indica que Deus criou os seres humanos à Sua própria imagem (Gn 1:26, 27), isto é, seres criativos. Projetar e criar tecnologia é um reflexo do propósito para o qual Deus nos criou: sermos criativos. Trabalhar com a tecnologia é um reflexo da imagem de nosso Criador, um chamado sagrado, e deve ser apresentado como tal na educação cristã.

Também está incluído no relato da Criação o mandato de domínio, a instrução de Deus para os seres humanos subjugarem e dominarem a Terra (Gn 1:28). A criação de dispositivos tecnológicos consome uma grande quantidade de recursos naturais da Terra, e a grande maioria dos projetos tecnológicos atende aos 10% mais ricos da população mundial.3 A ética do impacto do desenvolvimento tecnológico é um assunto rico para discussões em sala de aula com respeito ao chamado de Deus pela responsabilidade social e ambiental sobre o domínio da Terra.

Códice. Foto de Massimo Pizzocaro©. Usada com autorização.

O chamado de Deus e a ordenação dos artesãos do tabernáculo (Êx 31:1-6; 35:20-36:1) destaca o fato de que essas profissões são espiritualmente honrosas. Deus “chamou” Bezalel pelo nome para o trabalho de construir o tabernáculo e o encheu da capacidade de fazer todo tipo de trabalho de um artesão ou projetista (Êx 35:31-34) e “lhe dispôs o coração para ensinar” (35:34), o que fornece um precedente bíblico para um chamado espiritual a carreiras de tecnologia e de educadores em tecnologia. Deus estendeu Sua ordenação a todos os artesãos do tabernáculo, enchendo-os “com o Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência, e de conhecimento, em todo artifício” (Êx 31:3). Embora o tabernáculo tenha sido projetado por Deus, Ele confiou aos seres humanos o uso da habilidade, inteligência e conhecimento dados por Ele para desenvolver tecnologia para realizar a tarefa que eles tinham às mãos. Posso extrapolar a partir disso para o ponto de que todos os que trabalham com tecnologia o fazem com os dons de habilidade, inteligência e conhecimento dados por Deus. E somos exortados, como os engenheiros do tabernáculo, a “trabalhar de acordo com tudo o que o Senhor ordenou” (Êx 36:1; Ec 9:10; 1Co 10:31; Cl 3:23, 24), coordenando nossa carreira como um chamado de serviço a Deus. Esse relato das Escrituras está repleto de assuntos para discussões em sala de aula a fim de fechar a lacuna da fé.

A narrativa da Palavra de Deus sendo confiada à tecnologia humana

A Bíblia é a base do cristianismo e Deus confiou Sua Palavra sagrada a técnicos humanos e à tecnologia humana para preservar, proteger, reproduzir e disseminar essa Palavra. O relato bíblico começou como tradição oral, até que a tecnologia foi capaz de fornecer superfícies adequadas, tintas apropriadas e métodos de aplicação para transferi-la a um registro escrito.4 A Palavra de Deus era tão preciosa para os primeiros cristãos que eles a guardavam com sua vida, e era tão preciosa para alguns tecnólogos cristãos que eles desenvolveram tecnologias para propagá-la e disseminá-la.

Segundo a tradição judaica, os primeiros livros da Bíblia foram gravados por Moisés sobre o “gevil” e transformados em um pergaminho.5 O gevil era feito de pele curtida e não dividida de animais; era um produto da tecnologia que oferecia uma superfície de escrita usada no Egito, na época. O pó de sulfato de ferro incorporado na tinta reagia com o ácido tânico da preparação da pele para dar uma tonalidade preta pura que aderia bem.

Outros manuscritos bíblicos antigos eram escritos em papiros, uma superfície para a escrita à base de plantas, cujo monopólio pertencia ao Egito, uma vez que a planta de papiro crescia apenas ao longo do delta do Nilo. A camada externa do caule da planta de papiro era arrancada, deixando uma medula interna fibrosa e pegajosa que era cortada longitudinalmente em tiras finas. As tiras eram colocadas em duas camadas perpendiculares em uma superfície dura e marteladas juntas enquanto úmidas, depois secadas sob pressão. As folhas secas eram polidas e esfregadas com óleo de madeira de cedro para fazer uma superfície de escrita suave capaz de receber tinta rapidamente. As folhas eram cortadas no tamanho necessário e coladas com uma pasta de farinha, combinando com a direção das fibras para formar um pergaminho. Os escribas escreviam no lado que possuía o padrão de grãos horizontais, dando-lhes um guia natural de escrita em linha reta.

A tinta para o papiro era feita de frutos vermelhos, plantas e minerais e era aplicada com uma escova de junco feita de troncos ocos e hastes tubulares de gramíneas de pântano. Uma ponta não aguda era cortada em uma extremidade várias vezes para formar uma escova de ponta fina. A palheta oca era enchida com tinta, que era forçada até a ponta do pincel, quando essa palheta era espremida.

Imprensa de Gutenberg recriada no International Printing Museum, em Carson, Califórnia. CC BY 2.0, Wikimedia Commons, um repositório gratuito.

O papiro foi usado a partir de 2000 a.C. até o século 12 d.C. Embora o tempo de vida esperado do papiro fosse de 30 anos, papiros antigos foram encontrados no Egito e no deserto da Judeia preservados pelo clima seco e árido. Fragmentos de papiro do Antigo Testamento judaico foram encontrados com data do segundo século a.C.

A próxima progressão para uma superfície de escrita bíblica foi o pergaminho, que era mais durável que o papiro. O pergaminho era feito de peles de animais usando um processo mais refinado que o gevil. A produção de pergaminho era um processo lento, fisicamente exigente, sensível ao tempo e complicado, tornando o pergaminho uma mercadoria cara. Acredita-se que o processo de pergaminho foi refinado em Pérgamo entre 250 e 150 a.C., quando o Egito parou temporariamente de exportar papiros. O pergaminho foi usado para a era da impressão; no entanto, foi apenas no quarto século d.C. que seu uso se tornou mais comum que o papiro.

Quando Constantino adotou o cristianismo, no século 4, o perigo de destruição dos textos sagrados acabou, e a reprodução da Bíblia foi sancionada pelo Estado. Pergaminhos caros foram usados, nova tinta de sais de ferro, taninos e resina foram desenvolvidos, assim como a pena de escrever. Durante a Idade Média, diz-se que os cristãos desenvolveram a produção de pergaminhos, pigmentos e tintas de qualidade, assim como os escribas com manuscritos bíblicos minuciosamente copiados à mão.6 Os manuscritos iluminados desse período incluíam sombreamento e trabalho decorativo nos caracteres escritos, cores adoráveis, ornamentação, pequenas imagens e folhas de ouro. A beleza desses manuscritos medievais artisticamente adornados reflete o alto valor atribuído à Bíblia e a paixão por dar a Deus o melhor que o artesanato poderia fornecer.

Acredita-se que os primeiros cristãos defendiam o mais importante desenvolvimento tecnológico na disseminação do conhecimento antes da imprensa: a mudança do formato de manuscrito tipo rolo para uma encadernação na forma de códice. O códice é uma coleção de folhas de material de escrita flexível, papiro ou pergaminho, dobradas e amarradas juntas na parte de trás ou de forma espiralada. Geralmente era protegido por capas de madeira, e, no caso do pergaminho, um fecho era usado para prender o códice fechado entre as capas de madeira, para que o pergaminho não cedesse devido a mudanças na umidade.

A forma códice apresentava muitas vantagens sobre o pergaminho. Era econômico, já que ambos os lados da superfície de escrita eram usados, em vez do lado único para pergaminhos. Ele fornecia acessibilidade aprimorada, era mais fácil de encontrar os textos e comparar dentro de um manuscrito maior. O códice também era mais compacto, podia ser segurado em uma mão e era mais fácil de ser transportado e escondido.

Para os cristãos, a adesão ao formato de códice foi imediata. Quase todos os primeiros manuscritos cristãos que sobreviveram, os mais antigos datados do século 2 d.C, estão na forma de códice. No entanto, a prevalência sugere que o uso do códice deve ter começado ainda mais cedo. Para os escritos seculares, no entanto, a mudança foi muito lenta e irreversível. No primeiro e segundo séculos d.C., o pergaminho foi considerado a forma adequada de livros para a sociedade educada. No terceiro século, o códice acabou por receber igualdade legal com o pergaminho em assentamentos de propriedade,7 mas apenas no quinto século é que 90% dos manuscritos não cristãos ficaram em forma de códice.8

Timothy Stanley9 propõe que a razão pela qual os cristãos adotaram quase universalmente o códice, contraculturalmente, foi que essa tecnologia permitiu que eles unissem mais textos do que era possível com o pergaminho, dando às escrituras um efeito unificador. As quatro narrativas paralelas dos Evangelhos poderiam ser unidas, e não separadas em quatro rolos. As cartas de Paulo poderiam ser agrupadas em um códice, e essas não narrativas eram mais facilmente consultadas na forma de acesso aleatório via códice. O códice permitiu uma coletânea de literatura sagrada para os primeiros cristãos, uma tecnologia promotora da unidade teológica.

A preciosidade da Palavra de Deus mais uma vez estimulou a tecnologia em 1450, quando Johannes Gutenberg desenvolveu uma prensa móvel para imprimir a Bíblia. Gutenberg adaptou a tecnologia da prensa de uvas, combinando-a com as suas próprias invenções de moldar letras do tipo móvel de metal e uma tinta à base de óleo que aderisse ao metal. Em 1620, a imprensa de Gutenberg foi considerada como a invenção que provocou o maior efeito se comparada a qualquer outra, igualada apenas à pólvora e à bússola, e o número de livros apenas 50 anos após a invenção da imprensa era igual a 1.000 anos de trabalho dos escribas europeus.10

Baleia-jubarte mostrando tubérculos na borda anterior da barbatana peitoral. Foto de Whit Welles ©. GFDL, Wikimedia Commons, um repositório gratuito.

Gutenberg imprimiu Bíblias entre 1450 e 1455, produzindo cerca de 200 cópias, algumas em pergaminho e outras em papel, uma superfície de escrita de polpa vegetal muito mais barata e fácil de fazer. Gutenberg ficou sem dinheiro, e sua imprensa foi tomada por seu credor, que não estava interessado em imprimir Bíblias. Apenas 21 cópias completas conhecidas da Bíblia de Gutenberg sobreviveram.11 Elas são consideradas os livros mais valiosos do mundo, avaliadas individualmente entre 25 e 35 milhões de dólares.12

A tecnologia continuou a mudar a face da nossa Bíblia. Agora temos a Bíblia em formato de áudio, Bíblias pesquisáveis na internet em várias versões e idiomas e Bíblias para smartphones. Tecnologia bíblica de ponta está sendo criada para a leitura de manuscritos antigos, poderosas ferramentas de imagem para ler pergaminhos frágeis demais para serem desenrolados, bem como para recuperar escritas muito desgastadas para serem lidas.13 A preciosa Palavra de Deus nos foi transmitida através dos tempos pela tecnologia humana, que continua a participar na preservação e disseminação bíblica.

A narrativa dos projetos de engenharia de Deus como “muito bons”

Deus é o engenheiro original, o Designer do mundo e todos os seus habitantes. Apesar da queda, da mácula do pecado e da decadência, a natureza ainda nos dá visões dos projetos otimizados e inquisitivamente complexos de Deus. A natureza realiza proezas com as quais os engenheiros só podem sonhar, atraindo a atenção de uma ampla gama de pesquisadores e cientistas que produziram uma verdadeira avalanche de estudos sobre os processos incrivelmente refinados da natureza para o desenvolvimento de melhores tecnologias. Essa área de pesquisa e a tecnologia inovadora resultante são chamadas de Bioinspirada, Biônica e Biomimética. Esse estudo da natureza através de olhos tecnológicos nos dá uma visão sobre os projetos inspiradores, requintados e elegantes de Deus, o Engenheiro Mestre.

A pesquisa em biotecnologia abrange uma gama tão ampla de aplicações tecnológicas e da natureza que apenas uma pequena visão geral pode ser apresentada aqui, com fragmentos extraídos de várias categorias. Pesquisas simples na internet fornecerão uma variedade de detalhes magníficos relacionados aos exemplos listados e uma coletânea de tesouros de outros projetos bioinspirados. Para os cristãos, esses exemplos são janelas para os engenhosos e intricados projetos de Deus, pensados nos mínimos detalhes.

Materiais naturais: os materiais naturais são tão superiores aos materiais feitos pelo homem que os pesquisadores se concentraram muito tempo na tentativa de sintetizá-los. Os cientistas tentaram replicar seda de aranha e nácares de conchas abalone por causa de suas incríveis propriedades estruturais, mas as propriedades de controle do material na pequena escala da concha abalone e o domínio do colossal sequenciamento genético da seda de aranha até agora não foram encontrados.14 A necessidade médica de adesivos para ambiente úmido voltou-se para a natureza em busca de inspiração. Os seres humanos criaram alguns adesivos impressionantes, mas nenhum deles funciona em ambientes úmidos. Pesquisas nessa área começaram com mexilhões, que aderem às suas conchas em superfícies submersas, e têm se expandido para larvas de caddisfly (trichoptera) e vermes marinhos de castelos de areia, que formam capas protetoras de pequenos pedaços de materiais disponíveis.15

Mobilidade animal: de todo o progresso que os engenheiros têm feito na robótica, a mobilidade continua sendo um problema em locais onde as rodas não funcionam bem: áreas com terreno irregular e obstáculos. Mais uma vez, pesquisadores e engenheiros voltam-se para a natureza para resolver algumas dessas dificuldades. A Boston Dynamics é a líder no desenvolvimento de sistemas complexos para manter o equilíbrio robótico na mobilidade de caminhada. Ela desenvolveu uma mula robô que pode atravessar alguns terrenos acidentados, um humanoide que balança seus apêndices para manter o equilíbrio quando empurrado e uma chita robô de quatro patas com uma espinha dorsal flexível para permitir um galope de alta velocidade. A Festo, uma empresa de manufatura alemã com uma divisão dedicada a projetos bioinspirados, é líder em voo robótico. Eles passaram anos decifrando o voo das aves para criar seu SmartBird, que voa usando asas, em vez de hélices. Embora anos de desenvolvimento tenham sido investidos em mobilidade e equilíbrio, todos esses robôs são limitados pela vida útil da bateria ou amarrados por cabos de energia, e a operação da mula robô era barulhenta demais para os movimentos militares clandestinos para os quais fora projetada.

Formas para a aerodinâmica: as formas aerodinâmicas na natureza provaram ser muito superiores à compreensão humana da dinâmica dos fluidos. No entanto, algumas inovações em produtos naturais foram emprestadas por seres humanos. As camadas flexíveis de pequenos dentes na pele de tubarão foram imitadas para dar melhores propriedades aerodinâmicas a jatos, barcos e trajes de banho.16 Esses produtos foram tão bem-sucedidos que os barcos com esses revestimentos foram proibidos de competir em 1987, e os trajes de banho pele de tubarão da Speedo foram banidos depois das Olimpíadas de 2008. Mais recentemente, os cientistas estudaram mais de perto as protuberâncias contraintuitivas na ponta da barbatana da baleia jubarte.17 Em comparação com as nadadeiras lisas, as barbatanas corcundas tinham 30% menos arrasto e 8% mais sustentação, tornando-as extremamente ágeis e aquáticas para seu tamanho. A Whalepower está desenvolvendo lâminas de ponta esburacadas para turbinas, bombas e ventiladores que são 20% mais eficientes que as tradicionais.

Formas para funções: copiar formas encontradas na natureza para realizar uma tarefa ou função é o que sempre fez a biomimética. O velcro foi desenvolvido em 1955, inspirado pelos pequenos ganchos vistos sob a ampliação de sementes com rebarbas espinhosas que aderem a roupas e animais.18 O sistema de ventilação de ar do Eastgate Center, um complexo comercial e de escritórios no Zimbábue, foi fabricado inspirado no autorresfriamento dos montes de cupins africanos. Seu sistema de refrigeração passiva usa 90% menos energia do que sistemas de ar condicionado em prédios vizinhos de tamanho semelhante.19 Inspirado no besouro do deserto da Namíbia, que colhe água do nevoeiro matinal, utilizando a estrutura da superfície em suas costas,20 o protótipo do Dew Bank sintetizou essas características da superfície para fornecer um copo de água do ar do deserto.

Produção: a fabricação moderna normalmente envolve alta pressão e temperaturas intensivas em energia, pilhas de resíduos e muitos subprodutos tóxicos. Deus projetou a natureza para criar todos os seus produtos, em condições normais temperatura, pressão e pH, a partir de materiais biodegradáveis à base de água. Eles não usam combustíveis fósseis nem poluem o planeta. Há um esforço para encontrar técnicas de fabricação mais amigas do ambiente, semelhantes aos processos de montagem da natureza. Angela Belcher, do MIT, tem usado vírus para criar uma bateria.21 Ela manipulou o DNA do vírus de modo que os inorgânicos e os nanotubos se ligam ao revestimento externo criando os eletrodos positivos e negativos. Esse é apenas um começo para uma longa jornada de tentar fabricar com o mesmo ambientalismo que Deus projetou a natureza.

Pensamentos finais

Nossa fé cristã tem fortes laços com a tecnologia. Deus instituiu carreiras técnicas quando nos projetou para sermos criativos, quando chamou Bezalel e ungiu os artesãos do tabernáculo. Deus confiou em tecnólogos humanos e tecnologia humana para criar um lugar onde pudesse habitar entre nós; e Ele confiou em tecnólogos humanos e tecnologia humana para preservar e disseminar Sua Palavra, a base de nossa fé. Deus também nos deu inspiração para o desenvolvimento técnico dentro de Seu cuidadoso e primorosamente criado mundo.

Sejamos diligentes em nossa carreira, dada por Deus, seguindo Seus passos criativos. Vamos pedir a mesma unção concedida aos artesãos do templo. Assuma o nome de Bezalel quando exercer sua profissão, seja você um designer ou um professor. Vamos valorizar a tecnologia que nos trouxe a Bíblia e nos maravilhar com o pensamento e cuidado que Deus colocou no projeto de nosso mundo. E, uma vez que isso se torne parte da nossa própria história de vida, levemos intencionalmente as narrativas sinceras dessa conexão de nossa fé cristã em nossas salas de aula baseadas na tecnologia.



Este artigo foi revisado por pares.

Laurel Dovich

Laurel Dovich, PhD, PE, é engenheira estrutural. Na época em que este artigo foi escrito, ela era professora de Gngenharia na Universidade Walla Walla, em College Place, Washington, Estados Unidos.

Citação recomendada:

Laurel Dovich, “As carreiras tecnológicas e a fé: fechando a grande divisão,” Revista Educação Adventista 81:2 (Abril–Junho, 2019). Available at https://jae.adventist.org/pt/2019.81.2.3.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. Carreiras tecnológicas têm desafios éticos relacionados a guerra, justiça social e ambiental e segurança de produtos, mas raramente eles são discutidos.
  2. Todos os textos das Escrituras neste artigo são citados na versão Almeida Revista e Atualizada da Bíblia (ARA). Todos os direitos reservados.
  3. Cynthia E. Smith, National Design Museum, Smithsonian Institution, Design for the Other 90 Percent (New York: Assouline Publishing, 2007):19, 133.
  4. Existem muitos livros sobre a materialização da Bíblia que incluem a tecnologia usada.
  5. Moses Maimonides, Mishneh Torah: Sefer Ahavah, Eliyahu Touger, trans. (Israel: Moznaim Publishing Corp., 2010), Tefillin 1:8 and commentary. Disponível em: http://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/925417/jewish/Chapter-One.htm.
  6. Colin Henderson Roberts e Theodore Cressy Skeat, The Birth of the Codex (London: The British Academy by The Oxford University Press, 1987):32.
  7. Ibid.
  8. Ibid., p. 37.
  9. Timothy Stanley, “Faithful Codex: A Theological Account of Early Christian Books,” The Heythrop Journal 57:1 (2016):17, 18.
  10. Nicholas Carr, The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains (New York: W. W. Norton, 2010):69.
  11. “Gutenberg Bible,” Wikipedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Gutenberg_Bible.
  12. Philipp Harper, “In the Book World, the Rarest of the Rare,” NBC Today (13 de dezembro de 2004). Disponível em: http://www.today.com/id/6124643.
  13. Robert Draper, “The Bible Hunters,” National Geographic 234:6 (2018):61.
  14. Peter Forbes, The Gecko’s Foot: Bio-Inspiration – Engineering New Materials from Nature (New York: W. W. Norton, 2006):55-78, 139-142.
  15. Henry Fountain, “Studying Sea Life for a Glue that Mends People,” New York Times (12 de abril de 2010). Disponível em: https://www.nytimes.com/2010/04/13/science/13adhesive.html.
  16. Jay Harman, The Shark’s Paintbrush: Biomimicry and How Nature Is Inspiring Innovation (Ashland, Ore: White Cloud Press, 2013):86-94.
  17. Harman, The Shark’s Paintbrush, p. 97-102.
  18. Forbes, The Gecko’s Foot, p. 92-95.
  19. Harman, The Shark’s Paintbrush, p. 150.
  20. Forbes, The Gecko’s Foot, p. 50.
  21. Anne Trafton, “New Virus-Built Battery Could Power Cars, Electronic Devices,” MIT News (2 de abril de 2009). Disponível em: http://news.mit.edu/2009/virus-battery-0402.