Perspectivas | Peter Lyons

Editando a vida:a biologia moderna e os princípios bíblicos

Nos últimos anos temos visto um incrível crescimento em nossa compreensão dos fundamentos moleculares da vida. A tecnologia agora nos permite olhar dentro da célula para visualizar as atividades de moléculas individuais, enzimas e até dos átomos individuais.1 O sequenciamento do genoma humano não é novidade, e agora estamos sequenciando o código genético de um número incontável de outros organismos biológicos. Estamos quase chegando ao ponto em que uma visita ao consultório médico será acompanhada por uma análise do nosso código genético.2 Parece que logo conheceremos o segredo da vida... Pelo menos é o que alguns diriam.

Mais surpreendente é o ritmo acelerado com que as técnicas estão sendo desenvolvidas para manipular a vida como a conhecemos. Os cientistas estão buscando ativamente a capacidade de substituir órgãos em falência por novos órgãos criados diretamente a partir das células-tronco da própria pessoa. O mundo científico nos últimos anos tem comentado sobre uma tecnologia que em breve permitirá a edição do código de DNA humano para corrigir mutações causadoras de doenças. Agora somos capazes de produzir genoma sintético, e os pesquisadores estão trabalhando para criar organismos projetados, como, por exemplo, mosquitos incapazes de transmitir a malária.

Essas tecnologias em desenvolvimento, terapias com células-tronco, edição de genomas e biologia sintética têm grandes implicações para a saúde e para a administração do nosso planeta. Elas também têm um grande potencial para ultrapassar os limites. Por causa disso, a comunidade científica investiu esforços consideráveis para examinar as implicações éticas dessas tecnologias, incluindo uma conferência em Washington D.C., em 2015, no campo emergente da edição de genomas,3 que foi preparada por organizações científicas dos Estados Unidos, Inglaterra e China, com participação de quase 500 cientistas, especialistas em ética, e outros grupos interessados de todo o mundo. A assembleia foi finalizada com a recomendação de abstenção de qualquer pesquisa de edição de genomas em embriões humanos viáveis destinados a implantação e gravidez até que preocupações éticas e de segurança tenham sido resolvidas.

Neste artigo gostaria de considerar algumas dessas tecnologias em desenvolvimento que agora nos permitem modificar a vida como a conhecemos. O que são exatamente essas tecnologias biológicas? Como elas funcionam? Elas serão benéficas para nós e para o nosso planeta ou resultarão em repercussões negativas? Mais importante ainda, existem princípios bíblicos que possam guiar as comunidades cristãs nessas questões? Por fim, discutirei como melhor abordar esses assuntos na sala de aula. Como podemos ensinar sobre esses aspectos da ciência que mudam rapidamente enquanto entendemos corretamente a ciência e a Bíblia e encorajamos o envolvimento prático dos alunos nessas questões?

Células-tronco embrionárias

As células-tronco são únicas porque são capazes de se regenerar e se tornar, ou se diferenciar, em novos tipos de células. Os cientistas originalmente pensavam que as células-tronco eram encontradas apenas em tecidos embrionários ou na medula óssea, mas agora sabemos que as células-tronco são encontradas em uma ampla variedade de tecidos adultos normais, mesmo em certas regiões do cérebro,4 para permitir o crescimento contínuo e a regeneração dos tecidos. As células-tronco que crescem na medula óssea, por exemplo, são capazes de regenerar os muitos tipos de células que circulam pela corrente sanguínea: glóbulos vermelhos, plaquetas, macrófagos e vários tipos de células imunes. As células-tronco encontradas no intestino delgado regeneram continuamente seu revestimento à medida que as células envelhecem e se desprendem. Acredita-se que a descoberta dessas células e sua capacidade de regenerar o tecido seja um grande avanço no tratamento e na cura de doenças.

Embora as células-tronco adultas tenham muito potencial, grande parte da publicidade se concentrou nas células-tronco embrionárias, que exibem propriedades especiais não encontradas em células-tronco adultas. Foram as células-tronco embrionárias que se diferenciaram para formar cada ser humano, o que significa que elas podem, por fim, se tornar todos os tipos de células do corpo, uma habilidade chamada pluripotente. As células-tronco sanguíneas mencionadas acima só são capazes de formar outros tipos de células sanguíneas, por isso são chamadas de multipotentes. A vantagem de uma célula-tronco pluripotente e motivo da propaganda exagerada que as envolve é que essas células não se limitam a criar um repertório específico de tipos de células. Os cientistas podem usar essas células-tronco para desenvolver qualquer tipo de célula ou órgão que os humanos necessitem. Enquanto os pacientes agora devem esperar por um doador de órgãos adequado, os médicos do futuro podem simplesmente fazer uma encomenda de um órgão de reposição que tenha sido cultivado em laboratório.

Apesar de o potencial dessas células ser estimulante, as células-tronco embrionárias são tipicamente derivadas de embriões humanos de cinco a seis dias de idade, que foram armazenadas em clínicas de fertilidade, mas não usadas para o objetivo pretendido. A origem das células-tronco embrionárias levanta a preocupação daqueles que acreditam que a vida começa na concepção, já que os embriões dos quais as células-tronco são extraídas não sobrevivem. Embora alguns possam argumentar que essa preocupação tem “atrasado o progresso da ciência”, a resposta do público em relação ao uso de células-tronco embrionárias foi, pelo menos em parte, responsável pelo estímulo dentro da comunidade científica para desenvolver um tipo alternativo de células-tronco. Em 2006, o laboratório de Shinya Yamanaka, em Kyoto, no Japão, mostrou que as células-tronco pluripotentes poderiam ser derivadas de células adultas normais por uma manipulação genética.5 Pesquisas recentes permitiram a separação de muitos tipos de células derivadas das células-tronco pluripotentes induzidas (CTPis), reduzindo a necessidade de se trabalhar com células-tronco retiradas de embriões.6 As CTPis, na verdade, poderiam permitir a produção de órgãos de substituição das próprias células da pessoa, eliminando, assim, os problemas de rejeição quando tecidos doados são usados em transplantes. Embora as células-tronco embrionárias tenham muitas características únicas e úteis, temos agora algumas alternativas.

Atualmente, poucos tratamentos utilizando qualquer tipo de célula-tronco foram aprovados por agências reguladoras, ilustrando a complexidade desse tipo de terapia e os muitos obstáculos que os cientistas devem superar para usar com sucesso células-tronco em terapias de transplante.7 No entanto, centenas de estudos estão investigando as possibilidades. Os cientistas fizeram alguns progressos no uso de células-tronco embrionárias para tratar a degeneração macular pelo transplante de células da retina derivadas de células-tronco.8 Métodos semelhantes de transplante foram experimentados no tratamento da lesão medular. Recentemente foi aprovado na Europa um tratamento com células-tronco que utiliza células-tronco adultas inalteradas de um paciente para reparar a córnea após lesões como queimaduras.9 Mas provavelmente o tratamento com células-tronco mais conhecido, que existe há mais de 60 anos, seja o transplante de medula óssea, no qual as células-tronco adultas de um doador são transplantadas para um receptor, geralmente um paciente com leucemia, como uma substituição de suas células-tronco defeituosas (cancerígenas) que foram destruídas pela radiação ou pela quimioterapia.

Embrião de três pais

Embora nem as células-tronco embrionárias nem as CTPis tenham chegado ao mercado como uma terapia autorizada, a manipulação do tecido embrionário foi aprovada, pelo menos em alguns países, na forma de embrião de três pais.10 Nesse caso, os cientistas não estão usando as células embrionárias para potencial uso terapêutico em um paciente adulto, mas manipulando o próprio embrião para que o indivíduo em desenvolvimento não herde uma doença mitocondrial grave. As mitocôndrias são as casas de força da célula; pequenas organelas que são, em grande parte, responsáveis pela conversão de alimentos em energia utilizável. Algumas das instruções para operar essas centrais de energia vêm predefinidas em cada mitocôndria na forma de DNA mitocondrial. Mutações no DNA mitocondrial podem, às vezes, resultar em doenças incuráveis e, muitas vezes, fatais. Enquanto a maior parte de nosso material genético vem de nossos pais, a maioria de nossas mitocôndrias e outras organelas vêm apenas de nossa mãe pelo grande citoplasma do óvulo. Para criar um embrião de três pais, o núcleo de um óvulo com DNA mitocondrial defeituoso é transplantado em um óvulo doador sem núcleo, com mitocôndrias normais. Esse óvulo manipulado é então fertilizado pelo esperma no laboratório e implantado no útero da mãe. O indivíduo resultante desse processo teria informações genéticas de três progenitores – duas mães e um pai.

Essa terapia de reposição mitocondrial foi aprovada para uso em clínicas de fertilidade na Grã-Bretanha.11 Embora ainda não tenha sido aprovada nos Estados Unidos, especialistas pedem que a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprove seu uso em testes clínicos. Existem, claro, algumas incógnitas: pode haver algum efeito prejudicial de ter material genético de terceiros nas células? Poderia haver algum impacto psicológico no filho por ter um terceiro progenitor? E se o procedimento não funcionar? E se as mitocôndrias defeituosas forem, de alguma forma, transferidas e retidas? Essas possibilidades foram demonstradas sugerindo que devemos ser muito cuidadosos ao nos aproximarmos desses tipos de manipulações.12 Perguntas à parte, é provável que essa terapia seja aprovada em outros países num futuro próximo. Recentemente, chegou a notícia de que um bebê de três pais nasceu em abril de 2016, no México.13 Chegamos nesse ponto, quer gostemos ou não.

Edição de genomas

A terapia de reposição mitocondrial tem um mercado relativamente pequeno: pessoas com defeitos no DNA mitocondrial. No entanto, quase todas as doenças têm uma base genética. Ou seja, a maioria das doenças é causada por uma mudança herdada ou adquirida no código do DNA, portanto, uma tecnologia que poderia reverter essas mudanças teria um enorme impacto na cura e na prevenção de doenças. Tal tecnologia de edição de genomas surgiu nos últimos anos. A tecnologia é chamada CRISPR/Cas9, um acrônimo que descreve um sistema imunológico bacteriano.14 Assim como os humanos têm de lutar contra infecções virais, o mesmo acontece com as bactérias. As bactérias se defendem incorporando uma parte do material genético viral em seu próprio DNA, usando-o como modelo para reconhecer outros vírus invasores, que são então cortados pela enzima bacteriana Cas9. Os cientistas adaptaram esse sistema para uso em células de mamíferos, como as nossas. Na verdade, você pode dizer que os cientistas tornaram esse sistema ainda “melhor” fazendo mudanças sutis que melhoram a precisão do mecanismo de corte e manipulando o mecanismo a ser usado de várias maneiras, que incluem não apenas o corte, mas também a edição sutil do material genético.15

Essa tecnologia será usada de modo terapêutico para corrigir doenças humanas? As empresas já estão fazendo fila com grande expectativa para a tecnologia CRISPR. Duas empresas, em particular, conseguiram fundos substanciais para a pesquisa. A Editas, sediada em Cambridge, Massachusetts, e apoiada por Bill Gates e outros, com verba no valor de 120 milhões de dólares, tem o objetivo de usar essa tecnologia em pelo menos cinco testes clínicos com humanos em 2022 na esperança de curar doenças como a distrofia muscular de Duchenne e a fibrose cística. A CRISPR Therapeutics, também sediada em Cambridge, Massachusetts, negociou com a Bayer (335 milhões de dólares) e a Vertex Pharmaceuticals (105 milhões) para desenvolver a tecnologia para tratar doenças como distúrbios sanguíneos, cegueira e cardiopatias congênitas.16

É provável que essa tecnologia produza resultados num futuro próximo. Sua eficácia já foi demonstrada em modelos animais. Em 2014, um camundongo com uma mutação no gene da distrofia, que normalmente leva ao desenvolvimento de distrofia muscular, foi tratado com a tecnologia CRISPR, que interrompeu o desenvolvimento da doença.17 Seu uso em humanos foi iniciado no verão de 2015 com um forte protesto das comunidades científicas e bioéticas internacionais, já que cientistas na China revelaram a possibilidade de usar essa tecnologia em embriões humanos não viáveis.18 Mais recentemente a técnica foi usada para modificar células imunes de um paciente com câncer de pulmão com a esperança de estimular o sistema imunológico a atacar o câncer e, em embriões humanos viáveis que não foram implantados, corrigir com sucesso um defeito que leva à cardiomiopatia hipertrófica.19

A edição de genomas se estendeu à modificação de mosquitos a fim de tentar alcançar sua extinção (e melhorar nossa saúde). Os mosquitos foram escolhidos porque transmitem muitas doenças graves, incluindo dengue, malária e Zika vírus. Os cientistas desenvolveram um método para manipular o material genético do mosquito a fim de bloquear a transmissão de patógenos.20 Além disso, um método de disseminação rápida dessa característica em toda a população silvestre foi desenvolvido usando a técnica do gene drive. A versão mais dramática desse método elimina todos os mosquitos machos, causando um colapso em sua população (sem machos, sem reprodução). Embora essa tecnologia esteja atualmente trancada em laboratórios seguros, ela pode eventualmente ser usada.

Biologia sintética

Relacionado à ideia de edição de genomas está o conceito de biologia sintética: criar novos organismos e espécies que podem fazer o que nós queremos que eles façam. Isso não é um conceito novo. Foi a indústria da biotecnologia que começou com essa ideia revolucionária de que podemos manipular organismos (inicialmente apenas bactérias) para produzir coisas úteis para a humanidade. A Genentech foi pioneira nessa área usando bactérias geneticamente modificadas para produzir insulina no tratamento do diabetes.21 Muitos diabéticos são atualmente os beneficiários dessa insulina humana produzida por bactérias, ou Humulin®.

Hoje, no entanto, podemos não apenas projetar bactérias para realizar tarefas simples, como também alterar drasticamente a composição dos organismos. Implicações desse tipo de manipulação da natureza são amplas. Por exemplo, um grupo de cientistas introduziu recentemente mais de 20 genes externos em uma levedura para ativar a produção de opioides.22 Atualmente a produção de drogas como a morfina depende da volatilidade do fornecimento internacional de papoulas, assim, um abastecimento confiável desses medicamentos essenciais para aliviar a dor seria benéfico. No entanto, a aparente facilidade na produção de opioides a partir de leveduras levou alguns a especular a potencialidade de abuso se a tecnologia cair em mãos erradas.

Alguns anos atrás, uma equipe de cientistas do Instituto J. Craig Venter sintetizou artificialmente todo um genoma bacteriano, descrevendo o feito como Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome [Criação de uma célula bacteriana controlada por um genoma sintetizado quimicamente].23 Ainda que os cientistas não tenham realmente criado uma célula, mas inserido uma versão quimicamente sintetizada de um genoma bacteriano em uma célula da qual o DNA foi removido, isso ainda levantou uma questão controversa: seres humanos poderiam sintetizar a vida? Outra equipe de pesquisa liderada por Craig Venter criou recentemente uma espécie de bactéria com um código genético menor do que qualquer coisa conhecida na natureza.24

O futuro com certeza reserva muitos novos feitos de proezas biológicas, desde a engenharia de células com novas capacidades de produção química, até o desenvolvimento de organismos sintéticos inteiramente novos com circuitos genéticos completamente únicos para fazer o que é atualmente inimaginável. Muitas dessas tecnologias e produtos certamente serão benéficos e levarão a melhorias futuras em nossa qualidade de vida. Alguns desses produtos nos desafiarão a investigar mais profundamente os princípios éticos e morais que orientam nossa vida.

Princípios bíblicos

Cada uma dessas tecnologias de edição de genomas e células é uma grande promessa para o controle de doenças e a correção de doenças genéticas anteriormente incuráveis. Cada uma também apresenta muitas questões éticas e um potencial para uso indevido, forçando-nos a considerar cuidadosamente várias questões, tais como: (1) É ético usar embriões humanos em pesquisas? (2) É apropriado modificar geneticamente células humanas para tratar doenças? (3) Como definimos “doença”? (4) Temos o direito de modificar geneticamente a linha germinal (células reprodutivas) das espécies, particularmente da nossa própria espécie?

Jesus, o Grande Médico, ordenou a Seus discípulos que saíssem e curassem todas as doenças (Mt 10:1). Os apóstolos eram agentes de cura e de milagres nos primórdios da igreja (At 5:16), e Deus deu ao Seu povo, através dos tempos, muitos dons, incluindo o dom da cura (1Co 12:28), que tem sido considerado o “braço direito” da Igreja Adventista do Sétimo Dia desde seu início.

Embora a Bíblia não fale muito sobre biologia molecular moderna e genética, certamente tem muito a dizer sobre a vida e a saúde e sobre o Criador e a criação. Vamos considerar o que ela tem dito:

1. É ético usar embriões humanos em pesquisa? Essa poderia ser uma situação da qual Deus produz a bênção do que não é ideal. Deus é especialista nisso. Poderíamos pensar em Paulo na prisão em Filipos, onde uma situação ruim para Paulo se transformou em boa para o carcereiro, que se tornou um crente (At 16:1-40). E o que dizer sobre Salomão, considerado o homem mais sábio que já viveu, que foi fruto de um relacionamento que começou com assassinato e adultério (2Sm 12:1-31)?

É improvável que Deus pretendesse que embriões fossem armazenados em clínicas de fertilidade. É, no entanto, provável que Ele possa produzir o bem a partir dessa situação. Existem várias opções para lidar com os mais de 600.000 embriões estimados em armazenamento criogênico somente nos Estados Unidos:25 (a) deixá-los no freezer; (b) implantá-los no proprietário ou doá-los a outros que têm o desejo de criar uma família; (c) doá-los para pesquisa; ou (d) destruí-los. Parece haver pouca diferença entre deixá-los congelados ou destruí-los, pois aqueles congelados estão destinados a ser destruídos ou, por fim, se deteriorar. Doá-los a outros pais parece nobre e um modo de esses embriões realizarem seu potencial, embora pareça haver uma necessidade maior em nosso mundo para que os pais adotem os nascidos em vez de os nascituros.

2. É apropriado modificar geneticamente células humanas para tratar doenças? Jesus, o Grande Médico, ordenou a Seus discípulos que saíssem e curassem todas as doenças (Mt 10:1). Os apóstolos eram agentes de cura e de milagres nos primórdios da igreja (At 5:16), e Deus deu ao Seu povo, através dos tempos, muitos dons, incluindo o dom da cura (1Co 12:28), que tem sido considerado o “braço direito” da Igreja Adventista do Sétimo Dia26 desde seu início. Tiago escreveu em Tiago 2:16: “E qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?”27 Da mesma forma, se alguém tem os meios de curar uma doença genética, ou para substituir um órgão degenerado, mas não faz nada a respeito, de que adianta isso? Quem entre nós estaria disposto a dizer aos pais de uma criança com a doença de Tay-Sachs, por exemplo, que somos capazes de curar a doença do filho, mas não iremos porque estaríamos “dando uma de Deus”? Esse é exatamente o tipo de “dar uma de Deus” que Deus pediu de nós quando enviou os discípulos, apóstolos e cada um de nós como ministros para o mundo para curar pessoas feridas, tanto espiritual quanto fisicamente.28

3. Como definimos “doença”? Essa pode ser a questão mais difícil a ser discutida e pode nos levar a um território complicado. Por exemplo, enquanto a doença de Tay-Sachs e a fibrose cística são doenças genéticas que causam sofrimento incalculável e sua cura traria imenso benefício, a maioria dos traços de personalidade e características superficiais também têm base genética, embora muitas vezes mais complexa, e têm o potencial de ser modificada por meio do desenvolvimento de técnicas genéticas. Há muitos casos em que uma característica pode ser considerada anormal para alguns, mas normal para outros. A maioria de nós consideraria a surdez um problema. No entanto, os membros da comunidade surda têm a sua própria língua e cultura e consideram a surdez uma diferença, e não uma doença a ser curada.29

Essa questão de diferenciar o normal do anormal é talvez o maior desafio da era de edição de genomas. A Bíblia pode nos ajudar em algumas áreas, porém não em todas elas. Paulo sugere em Romanos 12:2 que o normal neste mundo não é algo a ser desejado: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” Muitos versos nas Escrituras declaram que nossa inclinação normalmente não é para o que Deus deseja, mas com a ajuda de Deus podemos nos tornar “nação santa” (1Pe 2:9), anormais aos olhos do mundo.

Em outro contexto, Paulo apresenta uma lista daqueles indivíduos que podemos considerar anormais, aqueles que não herdarão o reino de Deus (1Co 6:9-11). Rapidamente torna-se claro que a classificação de normal e anormal é baseada em ponto de vista. A Bíblia nos dá alguma indicação do que é bom, aquilo que, no contexto do reino de Deus deve ser considerado normal. Contudo, nossa compreensão é, na melhor das hipóteses, imperfeita, e a parábola do joio e do trigo indica que não é nosso papel separar os bons dos maus.

A história nos dá exemplos do que aconteceu quando os humanos tentaram separar o normal do anormal – o trigo do joio, por assim dizer. No início do século 20, o movimento eugênico30 tentou eliminar os genes ruins dos genes bons. Isso resultou na esterilização forçada de indivíduos diagnosticados com “debilidade mental” ou “insanidade”. Muitos desses indivíduos, se estivessem vivos hoje, provavelmente seriam membros produtivos da sociedade, senão “normais”, no sentido típico da palavra. Em seu livro, The Gene: An Intimate History, Siddhartha Mukherjee conclui que anormal é o que não corresponde ao ambiente atual e que, à medida que o ambiente muda, diferentes características são consideradas anormais.31 Por exemplo, o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é considerado anormal na maioria dos contextos de nosso mundo atual, muito sedentário. No entanto, a distração e a hiperatividade no contexto de uma sociedade de caçadores-coletores pode ser considerada uma vantagem. É claro que devemos prosseguir com cuidado onde falta clareza, mas devemos curar rapidamente onde as doenças são claramente debilitantes.

4. Temos o direito de modificar geneticamente a linha germinal das espécies, particularmente da nossa própria espécie? Mudanças hereditárias têm o potencial de alterar fundamentalmente quem somos como espécie e a composição das comunidades ecológicas em nosso planeta. É apropriado estar envolvido na criação até esse ponto? Se sim, quem toma as decisões? Estamos ultrapassando os nossos limites quando procuramos “dar uma de Deus”?

A Bíblia é clara ao afirmar que a humanidade tem um certo nível de responsabilidade pelo que acontece neste planeta. Deus criou os céus e a Terra e ordenou ao ser humano: “tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus [...] e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gn 1:26). Deus desejou a prosperidade da Terra e queria que a humanidade fosse fundamental para essa prosperidade. Davi reafirmou esse sentimento: “Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste” (Sl 8:6). Esses textos sugerem que Deus pretendia que os seres humanos tivessem domínio sobre toda a criação como uma extensão da Sua autoridade, para cuidar da Terra, para servir como mordomos do planeta.

Como mordomos, nossas ações devem mostrar tanto o cuidado com a humanidade quanto com toda a teia da vida neste planeta. Pois assim como nossos corpos são templos do Espírito Santo (1Co 6:19), também ao “Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém” (Sl 24:1). Deus cuida até do pardal (Lc 12:6) e providenciou um meio para a terra ter um ano sabático de descanso (Lv 25:2-5; Êx 23:10, 11). Ele até ordenou que os seres humanos não poluíssem a Terra, porque também é Sua casa! “Não profanareis a terra em que estais [...] Não contaminareis, pois, a terra na qual vós habitais, no meio da qual eu habito; pois eu, o Senhor, habito no meio dos filhos de Israel” (Nm 35:33, 34).32 Claramente, nossa administração da Terra vem com grande responsabilidade.

Nós nos importamos com o nosso planeta porque ele é criação de Deus. Mas certamente não é a Terra perfeita que Deus fez no começo, tendo sofrido muitas mutações devido à devastação do pecado. Aguardamos o momento em que seremos renovados, de acordo com o plano original de Deus. Embora afirmemos que isso ocorrerá plenamente na segunda vinda, Jesus sugeriu que o reino de Deus estava no porvir tanto quanto no presente: “o reino de Deus está dentro de vós”, disse Ele em Lucas 17:21.

Será que a nossa capacidade de consertar os efeitos do pecado até certo ponto, por meio de avanços médicos, incluindo aqueles descritos aqui, pode de alguma forma trazer “o reino de Deus” para nós aqui e agora?33 Será que Deus nos deu a oportunidade de aliviar alguns dos gemidos da criação (Rm 8:22) por meio de nossas habilidades para prevenir doenças, dar resistência às pragas, aumentar a produção de alimentos e substituir órgãos degenerados? Jesus aliviou o sofrimento e curou as pessoas durante todo o Seu ministério, e a cada cura proclamava as boas novas do reino (Mt 4:23; Lc 10:9). Pode-se imaginar que, enquanto Jesus curava os cegos e os paralíticos, Ele estivesse realizando alguma engenharia genética divina, apenas um pequeno gosto da mudança que ocorrerá “num piscar de olhos” em Sua segunda vinda (1Co 15:52).

Os desafios que enfrentamos como raça humana que pode fazer tanto cientificamente estão, em grande parte, baseados em nossa ganância e arrogância. Enquanto trabalhamos para melhorar a vida humana, devemos garantir que não sejamos responsáveis pela extinção das espécies que compartilham o planeta conosco. Essa é nossa responsabilidade como mordomos (Ap 11:18). Atualmente, estamos fazendo um trabalho malfeito, principalmente porque fazemos bem em explorar os recursos do planeta para nosso próprio benefício. Como estamos testemunhando a extinção de espécies a um ritmo sem precedentes, tenho fortes preocupações em relação à eliminação, por exemplo, dos mosquitos em benefício da humanidade. Quantas espécies escolheremos eliminar em nosso benefício? Quais podem ser as repercussões na cadeia alimentar ou em todo o ecossistema? É possível gerenciar nossos recursos usando todas as tecnologias a nossa disposição de forma a beneficiar a humanidade e também o planeta Terra?

Uma abordagem em sala de aula

A discussão acima deixa claro que nossa compreensão dos fundamentos da vida está aumentando rapidamente. A biologia, em particular a genética, afeta cada um de nós pessoalmente em nossa saúde e nosso histórico familiar. Também impacta nossas comunidades e países, melhorando nossa qualidade de vida e impulsionando grandes segmentos da economia. E impacta nosso relacionamento com nosso mundo e nosso Criador à medida que entendemos os efeitos que temos no meio ambiente. Embora esses tópicos sejam claramente relevantes para a vida atual, as mudanças dramáticas na biologia dificultam acompanhar os últimos desenvolvimentos, quanto mais entender como eles se encaixam em uma cosmovisão bíblica.

As Escrituras apresentam princípios gerais que podem nos ajudar a transitar por questões difíceis. Um desses princípios é o amor, o mandamento central encontrado na Bíblia (Mt 22:37-40). Nosso relacionamento com Deus deve envolver uma compaixão pelo nosso próximo e pelos animais. Essa preocupação com o bem-estar de toda a vida, não apenas da humanidade, deve esclarecer nossas decisões em áreas difíceis da biologia.

Outro princípio que deve guiar nossos pensamentos nessas áreas é a humildade (2Cr 7:14). Quando entendemos nosso lugar no mundo em uma perspectiva bíblica, não podemos deixar de ser humildes. Além disso, a Bíblia nos ordena nos concentrarmos na verdade (ou na Verdade) e afirma que podemos entender algumas partes da verdade por meio das várias faculdades que nos são fornecidas, incluindo nossa razão humana (Is 1:18).

Certamente nossos jovens estão interessados na verdade. Além disso, eles estão interessados em estar envolvidos nas questões que estão sendo debatidas à medida que buscamos a verdade. Descobertas na biologia e na genética serão uma parte fundamental do mundo em que estão crescendo. É importante que sejamos envolvidos no mundo hoje, e precisamos encorajar nossos jovens (e os mais velhos também) a se envolverem nas questões que afetarão a eles, a seus descendentes e ao meio ambiente. Muitos de nossos alunos se tornarão líderes na área da ciência e da tecnologia, por isso temos a responsabilidade de discutir com eles como nossa fé e os princípios bíblicos se cruzam com seus interesses e com o progresso da ciência para o benefício da humanidade e as implicações das descobertas científicas que têm o potencial de prejudicar a Terra e seus habitantes. Ao fazer isso, eles podem descobrir novas verdades na Palavra de Deus e novos exemplos da liderança de Deus em todos os aspectos da vida.

Existem alguns recursos para nos ajudar nessa busca do conhecimento. O Christian View of Human Life Committee [Comitê da Visão Cristã sobre a Vida Humana], delegado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, produziu dois documentos excelentes em uma tentativa de esclarecer nossa relação com as tecnologias de engenharia genética. Embora o primeiro tenha sido produzida em 1995, há mais de 20 anos, os princípios nele delineados permanecem pertinentes para os temas em discussão hoje. O segundo, produzido em 2000, centrou-se na terapia gênica humana, com princípios semelhantes apresentados.34 Além desses documentos, as instituições adventistas de ensino superior abordam a bioética em vários níveis. Por exemplo, algumas de nossas instituições de graduação oferecem aulas que lidam com muitas questões bioéticas. A Universidade de Loma Linda (Loma Linda, Califórnia, Estados Unidos) apoia um Centro de Bioética Cristã com foco em ética biomédica e mestrado em Bioética e recentemente iniciou uma conferência anual sobre bioética adventista em saúde.

Para professores que não têm acesso a esses recursos universitários, é importante se envolver nesses tópicos e passar aos jovens o melhor conhecimento disponível. Isso pode ser feito por meio de formação contínua, cursos on-line e pesquisa. Quando não soubermos a resposta, e em alguns casos nunca saberemos, a melhor maneira de abordar essas questões na sala de aula é apresentar o que sabemos e incentivar a discussão. Podemos esclarecer áreas onde temos informações tanto bíblicas quanto científicas. Podemos orientar os alunos a usar a perspectiva cristã para pensar criticamente, identificar preconceitos e objetivos ocultos e analisar a qualidade das várias fontes que encontrarão. E, em última instância, continuaremos humildes pelo que não sabemos. Nos últimos anos, conheci uma organização chamada The Colossian Forum,35 cujo objetivo é facilitar discussões difíceis, muitas vezes em áreas em que há muitas opiniões e nenhum consenso. Embora possa nunca haver um consenso claro sobre algumas questões, é benéfico percorrer esse caminho junto, como uma comunidade com opiniões divergentes, o que oferece oportunidade de praticar a graça cristã e entender que, por fim, todas as coisas subsistem em Cristo (Cl 1:17). Podemos ter confiança de que Deus pode ver o fim e nos conduzirá no caminho.


Este artigo foi revisado por pares.

Peter Lyons

Peter Lyons, PhD, é professor associado do Departamento de Biologia da Andrews University, Berrien Springs, Michigan, Estados Unidos. O Dr. Lyons concluiu seu PhD em Bioquímica na Universidade Dalhousie, em Halifax, Nova Escócia, Canadá, onde recebeu uma bolsa de pós-doutorado para o Albert Einstein College of Medicine, em Nova York. Seus atuais interesses de pesquisa e ensino estão na área de biologia celular e molecular. Ele é colaborador regular de um curso de bioética na Andrews University.

Citação recomendada:

Peter Lyons, “Editando a vida: a biologia moderna e os princípios bíblicos,” Revista Educação Adventista 46:1 (Abril–Junho, 2018). Available at https://jae.adventist.org/pt/2018.4.6.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. Jannik C. Meyer et al., “Imaging and Dynamics of Light Atoms and Molecules on Graphene,” Nature 454:7202 (julho de 2008):319-322.
  2. A sequência do genoma humano foi concluída, pelo menos oficialmente, em 2003. Desde então, os recursos de sequenciamento de DNA continuaram a aumentar. Os cientistas estão agora testando a viabilidade e utilidade do sequenciamento do genoma completo no nascimento, e, em 2015, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou sua Iniciativa de Medicina de Precisão, cujo ingrediente principal é obter dados detalhados do sequenciamento do genoma.
  3. Sara Reardon, “Global Summit Reveals Divergent Views on Human Gene Editing,” Nature 528:7.581 (dezembro de 2015):173.
  4. Para uma revisão científica do crescimento e função de células-tronco neurais, veja: Y. Mu et al., “Signaling in Adult Neurogenesis,” Current Opinion in Neurobiology 20:4 (agosto de 2010):416-423. Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos mantêm uma cartilha on-line sobre células-tronco, incluindo células-tronco adultas, que podem ser encontradas em https://stemcells.nih.gov/info/basics.htm.
  5. Kazutoshi Takahashi e Shinya Yamanaka, “Induction of Pluripotent Stem Cells from Mouse Embryonic and Adult Fibroblast Cultures by Defined Factors,” Cell 126:4 (agosto de 2006):663-676.
  6. Os cientistas produziram numerosos tipos de células CTPis, incluindo muitos tipos de neurônios, por exemplo, células-tronco pluripotentes: Allison D. Ebert et al., “Induced Pluripotent Stem Cells from a Spinal Muscular Atrophy Patient,” Nature 457:7227 (Janeiro de 2009): 277-280; cardiomiócitos: Lei Yang et al., “Human Cardiovascular Progenitor Cells Develop From a KDR+ Embryonic-Stem-cell-derived Population,” Nature 453:7.194 (maio de 2008):524-528; óvulos: Katsuhiko Hayashi et al., “Offspring from Oocytes Derived from in vitro Primordial Germ Cell-like Cells in Mice,” Science 338:6.109 (novembro de 2012):971-975); espermatozoides: “Reconstitution of the Mouse Germ Cell Specification Pathway in Culture by Pluripotent Stem Cells,” Cell 146:4 (agosto de 2011):519-532; e até fígados vascularizados: Takanori Takebe et al., “Vascularized and Functional Human Liver from an iPSC-derived Organ Bud Transplant,” Nature 499:7.459 (Jjulho de 2013):481-484.
  7. Josipa Bilic e Juan Carlos Izpisua Belmonte, “Concise Review: Induced Pluripotent Stem Cells Versus Embryonic Stem Cells: Close Enough or Yet Too Far Apart?” Stem Cells 30:1 (janeiro de 2012):33-41. A diferença mais importante, que torna a aprovação do tratamento humano particularmente difícil, é o fato de as CTPis serem geneticamente manipuladas.
  8. Embora muitas terapias com células-tronco estejam atualmente em testes clínicos, incluindo as relatadas por Erin A. Kimbrel e Robert Lanza (“Current Status of Pluripotent Stem Cells: Moving the First Therapies to the Clinic,” Nature Reviews Drug Discovery 14:10 (setembro de 2015):681-692), as terapias mais promissoras são para doenças oculares, devido à relativa acessibilidade do olho. Ver Mark Fields et al., “Potential of Induced Pluripotent Stem Cells (iPSCs) for Treating Age-Related Macular Degeneration [AMD],” Cells 5:4 (dezembro de 2016):44. Recentemente, um estudo mostrou sucesso no tratamento da degeneração macular com CTPis: Michiko Mandai et al., “Autologous Induced Stem-Cell-Derived Retinal Cells for Macular Degeneration,” New England Journal of Medicine 376:11 (março de 2017):1.038-1.046.
  9. Alison Abbott, “Behind the Scenes of the World’s First Commercial Stem-cell Therapy,” Nature (março de 2015). Disponível em: https://www.nature.com/news/behind-the-scenes-of-the-world-s-first-commercial-stem-cell-therapy-1.17022. DOI: 10.1038/nature.2015.17022.
  10. Sara Reardon, “US Panel Greenlights Creation of Male ‘Three-person’ Embryos,” Nature 530:7.589 (fevereiro de 2016):142.
  11. Gretchen Vogel, “United Kingdom Gives Green Light for Mitochondrial Replacement Technique,” Science (dezembro de 2016). Disponível em: http://www.sciencemag.org/news/2016/12/united-kingdom-gives-green-light-mitochondrial-replacement-technique.
  12. Mitsutoshi Yamada et al., “Genetic Drift Can Compromise Mitochondrial Replacement by Nuclear Transfer in Human Oocytes,” Cell Stem Cell 18:6 (junho de 2016):749-754.
  13. Conforme relatado por muitas agências de notícias. Por exemplo, veja http://www.nytimes.com/2016/09/28/health/birth-of-3-parent-baby-a-success-for-controversial-procedure.html.
  14. Jennifer A. Doudna e Emmanuelle Charpentier, “Genome Editing. The New Frontier of Genome Engineering with CRISPR-Cas9,” Science 346:6213 (novembro de 2014):1258096. Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier são as cientistas que primeiro descreveram este método de edição de genoma. Há chances de que elas recebam um Prêmio Nobel por esse trabalho em um futuro próximo. Veja também Elizabeth Pennisi, “The CRISPR Craze,” Science 341:6.148 (agosto de 2013):833-836.
  15. O aumento da precisão foi mostrada, por exemplo, em Benjamin P. Kleinstiver et al., “High-fidelity CRISPR-Cas9 Nucleases with No Detectable Genome-wide Off-target Effects,” Nature 529:7587 (janeiro de 2016):490-495. As várias formas pelas quais o CRISPR/Cas9 tem sido usado na edição de genomas são descritas em Patrick D. Hsu et al., “Development and Applications of CRISPR-Cas9 for Genome Engineering,” Cell 157:6 (junho de 2014):1.262-1.278.
  16. A Editas anunciou isso em um comunicado à imprensa em 8 de janeiro de 2018. O site deles é: http://www.editasmedicine.com/; Informações sobre a CRISPR Therapeutics podem ser encontradas em seu site: http://crisprtx.com/our-partnerships/partnerships.php.
  17. Chengzu Long et al., “Prevention of Muscular Dystrophy in Mice by CRISPR/Cas9-mediated Editing of Germline DNA,” Science 345:6201 (setembro de 2014):1.184-1.188.
  18. Puping Liang et al., “CRISPR/Cas9-mediated Gene Editing in Human Tripronuclear Zygotes,” Protein Cell 6:5 (abril de 2015):363-372.
  19. David Cyranoski, “CRISPR Gene-editing Tested in a Person for the First Time,” Nature 539:7.630 (novembro de 2016):479; e Hong Ma et al., “Correction of a Pathogenic Gene Mutation in Human Embryos,” Nature 548:7.668 (agosto de 2017):413-419.
  20. Paolo Gabrieli et al., “Engineering the Control of Mosquito-borne Infectious Diseases,” Genome Biology 15:11 (novembro de 2014):535.
  21. Uma excelente descrição do papel da Genentech nesse novo campo pode ser encontrada em Sally Smith Hughes, Genentech: The Beginnings of Biotech (Chicago: University of Chicago Press, 2011).
  22. Stephanie Galanie et al., “Complete Biosynthesis of Opioids in Yeast,” Science 349:6.252 (setembro de 2015):1.095-1.100.
  23. Daniel Gibson et al., “Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome,” Science 329:5.987 (julho de 2010):52-56. DOI: 10.1126/science.1190719.
  24. Ibid.; Clyde A. Hutchison III et al., “Design and Synthesis of a Minimal Bacterial Genome,” Science 351:6280 (março de 2016):aad6253. DOI: 10.1126/science.aad6253.
  25. Embriões são geralmente congelados por clínicas de fertilidade no estágio inicial do blastocisto, quando contêm cerca de 200 a 300 células. Para ser honesto, não acho que Deus é a favor do congelamento de pré-embriões humanos com o único propósito de pesquisa científica. No entanto, acredito que essa raramente seja a motivação para extraí-los. Acho que, se há uma questão moral aqui, ela tem a ver com a indústria da fertilidade, não com a empresa da pesquisa. Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, “Embryo Adoption,” (agosto de 2017). Disponível em: https://www.hhs.gov/opa/about-opa/embryo-adoption/index.html.
  26. Ellen White se refere à obra médico-missionária, que inclui a saúde como o “braço direito” da terceira mensagem angélica, em Ellen G. White, Conselhos sobre Saúde, p. 73. Disponível em: http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/17/69/80/.
  27. Salvo outra indicação, todos os textos bíblicos neste artigo são citados da versão Almeida Revista e Atualizada. Todos os direitos reservados.
  28. É claro que a cura de Deus seria uma cura perfeita, enquanto nossas tecnologias provavelmente terão imperfeições. Há sempre consequências desconhecidas em qualquer tratamento devido à nossa compreensão imperfeita, que as comunidades médicas e reguladoras visam reduzir o máximo possível.
  29. Veja M. McKee et al., “Ethical Issues in Conducting Research with Deaf Populations,” American Journal of Public Health (2013) 103:12:2.174-2.178, para comentários sobre a cultura surda e a ameaça da engenharia genética para sua cultura. Uma edição recente da National Geographic (janeiro de 2017) enfocou questões genéticas relacionadas ao gênero.
  30. O movimento eugênico exigia leis de esterilização obrigatórias que impedissem as pessoas com doenças hereditárias de transmitir características aos seus filhos. Os cientistas da época tinham conhecimento básico da unidade genética e seu papel na herança, mas não entendiam completamente como os genes funcionavam ou poderiam ser manipulados. Por essa razão, eles procuraram erradicar doenças como a cegueira hereditária, insanidade, epilepsia, sífilis, alcoolismo e muito mais pela esterilização e, juntamente com conferências patrocinadas da Race Betterment, promoveram o conceito de criar e preservar uma raça superior. Veja Edwin Black, War against the Weak: Eugenics and America’s Campaign to Create a Master Race (Washington, D.C.: Dialog Press, 2003):152, 317.
  31. Siddhartha Mukherjee, The Gene: An Intimate History (New York: Scribner, 2016).
  32. Posso estar esticando um pouco o significado deste texto, já que a poluição mencionada aqui é “derramamento de sangue”, assassinato. No entanto, pode-se argumentar que a poluição leva a muito derramamento de sangue, tanto humano como animal, porém de uma forma mais indireta.
  33. Isso não quer dizer que o reino de Deus não esteja por vir, mas que podemos experimentar um pouco disso enquanto estamos aqui na Terra. Jamais curaremos a humanidade de sua pior condição, as doenças do “coração”: ganância, ciúme, ódio.
  34. “Christian Principles for Genetic Interventions” (13 de junho de 1995). Disponível em: https://www.adventist.org/en/information/official-statements/documents/article/go/-/christian-principles-for-genetic-interventions/ e “Human Gene Therapy” (1o de abril de 2000). Disponível em: https://www.adventist.org/en/information/official-statements/documents/article/go/-/human-gene-therapy/, podem, ambos, ser encontrados no site oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esses documentos apresentam uma visão equilibrada dos desenvolvimentos científicos no momento em que foram preparados e as respostas cristãs apropriadas a eles. As declarações afirmam que aliviar o sofrimento humano é uma importante responsabilidade cristã e considera vários princípios bíblicos relevantes, mas deixa muitas questões sem resposta. Eles recomendam que mudanças genéticas hereditárias não sejam feitas. Eu digo que isso era mais fácil de dizer quando a tecnologia não existia, mas não é tão claro agora que a tecnologia está à disposição.
  35. The Colossian Forum. Disponível em: http://colossianforum.org/.