Gustavo Gregorutti

Faculdades e universidades adventistase os rankings todo-poderosos

Faculdades e universidades adventistas sentem grande pressão quando tentam atrair alunos para o ambiente cada vez mais competitivo do Ensino Superior. Elas buscam se destacar por meio de acreditações, prêmios e sucesso do corpo docente. Agora, contudo, surge uma nova ferramenta para mostrar uma vantagem competitiva: os rankings. Várias mídias e sites classificam as universidades internacionais e as dos Estados Unidos.

Este artigo revisa esses rankings e analisa algumas de suas implicações para as faculdades e universidades adventistas. Portanto, duas perguntas básicas orientam esta análise: será que os rankings realmente medem a qualidade? Devemos usar esses rankings para manter e buscar aumentar a matrícula nas instituições adventistas? Responder essas perguntas pode ter implicações estratégicas para o fortalecimento do Ensino Superior adventista.

Os rankings todo-poderosos

Nas últimas duas décadas tem havido uma tendência crescente para classificar e posicionar o Ensino Superior, e essas classificações e posicionamentos avaliam uma ampla variedade de características, tais como qualidade acadêmica, custo, diversidade de campus, localização e oportunidades de pesquisa. Essa tendência começou nos Estados Unidos com o US News Network and World Report (USNWR),1 e sistemas semelhantes de classificação se espalharam pelo país e internacionalmente. O primeiro a lançar comparações internacionais foi o Instituto de Ensino Superior da Universidade Jiao Tong, de Xangai, China, também conhecido como Ranking de Xangai, que publica a Classificação Acadêmica das Universidades Mundiais (Academic Ranking of World Universities - ARWU). Outros exemplos são o Times Higher Education Rankings (2004) e o QS Stars University Rankings (2010).2 Recentemente, o US News and World Report também criou sua própria versão de classificação mundial das universidades. Embora a organização desses rankings varie de acordo com os critérios utilizados, a produtividade da pesquisa é uma medida predominante na maioria deles.

Esses rankings tiveram profunda influência e impacto global em meio a um amplo espectro de reações.3 Em primeiro lugar, eles foram considerados medidas precisas de uma boa universidade.4 Em segundo lugar, as instituições acadêmicas passaram a usar rankings para se autopromover. Em terceiro lugar, os formuladores de políticas usaram os rankings para promover mais políticas, atribuindo mais financiamento para as instituições que se envolvem na inovação do conhecimento para produzir mais empregos.5 Várias políticas governamentais de avaliação enfatizaram a produtividade da pesquisa como característica definidora das universidades emblemáticas que perseguem posições proeminentes.6

Agora, voltando à primeira pergunta, as classificações existentes podem ser ferramentas válidas para avaliar a qualidade de uma universidade? Quais são algumas das inconsistências desses rankings?

Desafios dos rankings existentes

É importante esclarecer que classificação e avaliação são conceitos diferentes, embora estejam interligados. Quando uma universidade é avaliada, ela é medida por meio de um conjunto de referências que uma organização, como um organismo de acreditação, concorda em utilizar para controle de qualidade. Os programas acadêmicos dentro de uma universidade ou da universidade como um todo podem cumprir as normas avaliadas em graus variados ao longo de um contínuo critério de aprovação/reprovação. Muitos dos indicadores de avaliação são qualitativos e, portanto, destinados a orientar as instituições continuamente em direção às complexas visões de qualidade. Os rankings também estabelecem indicadores quantitativos que permitem comparações de instituições similares. Essas referências são combinadas em um índice para classificar instituições em uma escala que pode variar, por exemplo, de zero a 100.

Embora os rankings possam ser úteis para determinar quão bem as instituições estão regionalmente ou mesmo internacionalmente, eles são controversos e nada neutros. Que tipos de indicadores são usados para classificar as universidades? As Tabelas 1 e 2 mostram uma visão global dos parâmetros e seu poder dentro de duas escalas de classificação muito influentes.

No caso do ARWU (Tabela 1), a maioria de seus referenciais estão altamente associados à pesquisa. Infelizmente, vários estudos revelaram importantes inconsistências na maneira como os critérios são escolhidos,7 bem como imprecisões em alguns indicadores.8 As universidades podem ter classificações muito diferentes dependendo dos indicadores e do peso dado a cada um deles. O Times Higher Education Ranking e o QS Stars University Rankings também são muito voltados para a pesquisa, usando-a como seu principal indicador de qualidade, embora também tenham acrescentado o ensino, entre outros fatores.

No contexto americano, o U.S. News and World Report também tem um grande conjunto de classificações das faculdades que são diferentes, em muitos aspectos, das internacionais. Como mostrado na Tabela 2, a pesquisa não é considerada na classificação de instituições. Todo o sistema de classificação depende da reputação, seletividade, recursos para professores e alunos, graduação/retenção e relação dos ex-alunos com a universidade.

Escolher e estabelecer indicadores de qualidade pode ser um problema para os modelos universitários existentes, uma vez que os rankings refletem os padrões atuais do Ensino Superior, e esses padrões podem não estar alinhados com a missão da faculdade ou universidade. Isso não é errado se for apresentado como uma opção possível, e não como “o” modelo para a qualidade da educação. Por que não? Várias razões, que incluem as seguintes:

1. Isso é possível para todos? Embora as universidades devam promover e desenvolver a pesquisa, nem todas têm recursos para produzir professores vencedores do Prêmio Nobel ou as revistas mais citadas e seletivas, uma vez que esse objetivo requer instituições bem equipadas e bem financiadas. Isso é possível para as universidades que publicam livros acadêmicos ou várias revistas em inglês, que possuem os laboratórios e equipamentos de pesquisa mais avançados, atraem uma ampla gama de melhores pesquisadores e estudantes nacionais e internacionais e têm um forte compromisso institucional com as ciências aplicadas. Quantas instituições correspondem a essa descrição? Mesmo nos Estados Unidos, um país de vanguarda nas classificações, apenas algumas poucas universidades podem realmente competir pelas primeiras posições.9

2. E quanto aos diferentes modelos de educação? Existem milhares de instituições de formação profissional que não desenvolverão uma missão voltada e orientada para a pesquisa e as descobertas científicas. Seria isso incorreto ou incompleto? Tudo depende do modelo e dos propósitos da instituição. As universidades adventistas são bons exemplos de instituições cuja missão não se alinha totalmente com o que os rankings consideram decisivo. Embora as universidades voltadas para a pesquisa tenham um papel vital na economia e no clima social de hoje, pode-se perguntar: é possível e acessível para todas as universidades adventistas participar dessas atividades intensivas em pesquisa? Além disso, um grande problema com os rankings é que eles tendem a facilitar o isomorfismo institucional (copiar uns aos outros) quando apontam universidades que não se encaixam nesse modelo e, portanto, têm classificações mais baixas.10 Isso tem implicações práticas importantes que podem anuviar alguns dos propósitos da educação superior adventista.

3. E quanto a outros indicadores de desempenho? A maioria dos rankings de influência não levam em conta o envolvimento com a comunidade, os resultados da aprendizagem e o impacto dos graduados na sociedade, para mencionar alguns. Esses são componentes muito importantes que refletem a missão das universidades. Embora as universidades sejam indubitavelmente lugares que preparam profissionais que possam contribuir em sua área, elas devem também empenhar-se em incutir nos seus alunos os valores que irão impactar a comunidade deles, melhorando-a não só por meio das descobertas, mas também da inovação tecnológica. Kronman11 argumenta que a grande maioria das universidades nos Estados Unidos perdeu a dimensão do “sentido da vida”. Ou seja, elas se tornaram escolas de formação profissional, desconsiderando outros aspectos importantes da educação, como inculcar valores espirituais e morais. Muitas das instituições que não aparecem em qualquer ranking contribuem para suas comunidades de incontáveis maneiras não classificadas.12 Por exemplo, elas funcionam como “equalizadores” sociais, dando oportunidades a alunos pobres e subescolarizados para se tornarem profissionais de classe média. Como muitas outras pequenas instituições, as universidades adventistas cumprem esse papel.

É importante ressaltar que, em muitos casos, as organizações que apresentam os rankings são verdadeiras empresas. Por exemplo, revistas como a U. S. News and World Report vendem mais anúncios, são mais expostas e atraem mais financiamento externo quando atraem a atenção de estudantes, pais e universidades. As instituições buscam os diferenciais. Os pais e alunos, preocupados com a mensalidade que deverão pagar, estão à procura de indicadores que lhes permitam tomar a melhor decisão ou, como frequentemente expresso, fazer o melhor investimento. Os administradores dos rankings sabem disso e trabalham arduamente para responder a essas preocupações. As estratégias têm funcionado, pelo menos, por enquanto.

Como reagir

O que as faculdades e universidades adventistas podem fazer para lidar com essas forças poderosas? Para responder a essa demanda crescente por evidência de qualidade, é importante colocar os rankings em perspectiva e ver como eles realmente afetam as instituições em relação (1) às decisões dos alunos e (2) à estratégia institucional.

As decisões dos alunos. O Conselho Americano de Educação (ACE) publicou recentemente um abrangente estudo13 que permite observar diferentes padrões de tomada de decisão dos alunos, o que pode ajudar as faculdades e universidades a desenvolver estratégias proativas. Algumas das principais conclusões são resumidas da seguinte forma:

1. Tipo e quantidade de alunos que utilizam os rankings. O relatório mostrou que, de acordo com alguns estudos iniciais, os rankings foram importantes para estudantes de famílias de alta renda e de origem asiático-americana, cujos pais têm diplomas universitários. Estes eram alunos de alto desempenho, tinham a tendência de se inscrever em várias instituições e foram mais propensos a frequentar universidades seletivas. Assim, os candidatos mais qualificados eram mais propensos a buscar instituições de topo. Esta pesquisa confirma que as instituições seletivas e ricas atraem alunos que correspondem ao seu perfil.

No entanto, em um estudo recente que procura determinar quão influentes os rankings são, o Instituto de Pesquisa de Ensino Superior da Universidade da Califórnia (Ucla), em Los Angeles, revelou que apenas um quarto dos alunos relatou que os rankings eram muito importantes para eles. Além disso, o relatório ACE citou vários estudos mostrando que, dos 70% dos alunos de alto desempenho que verificaram rankings, apenas metade tomou decisões com base neles. Parece que nem mesmo a maioria dos alunos mais brilhantes está realmente orientando suas escolhas de acordo com o ranking altamente visível.

2. O que motiva as decisões dos alunos? Embora o ranking e o prestígio tenham influência, o relatório da ACE ressalta a importância das aspirações educacionais, do envolvimento e da comunicação com os pais, pares, redes sociais e da ajuda financeira oferecida nas universidades para direcionar as decisões dos alunos sobre onde se matricular. Isso também é verdade para alunos de baixa renda, que representam uma porcentagem significativa daqueles que se matriculam em muitas universidades adventistas.14 Esse grupo parecia mais provável, de acordo com o estudo, de escolher se matricular em uma escola baseado no apoio familiar, em conselheiros do Ensino Médio, em representantes universitários e em informações obtidas por meio de publicações e sites da web. Para este grupo, custo e localização foram fatores essenciais na seleção de uma universidade. O mesmo se aplica aos estudantes altamente qualificados de baixa renda de diversas origens culturais e raciais. A disponibilidade de informação e a forte comunicação com futuros alunos parecia ser fundamental para a sua inscrição em um programa.

As universidades seculares integram literatura e conhecimento com abordagens materialistas, o que significa que a orientação transmitida pelos livros religiosos, como a Bíblia, foi negligenciada em decorrência do foco em argumentos científicos e humanistas.

Em suma, como afirma o relatório da ACE: “Com base em dados recém-atualizados do Instituto de Pesquisa do Ensino Superior (Higher Education Research Institute - Heri), as classificações não são um fator determinante nas decisões dos alunos sobre qual instituição participar e são ainda menos relevantes para estudantes de baixa renda. As influências mais relevantes incluem o envolvimento e encorajamento da família, dos pares e de outras redes sociais e dos recursos das instituições escolares e de instituições de Ensino Superior, incluindo aqueles que são semipersonalizados.”15

É claro que as classificações ajudam as instituições, em certa medida, a atrair e matricular alunos. No entanto, como descrito acima, outros fatores importantes podem ser significativamente mais influentes. Isso abre às faculdades e universidades adventistas uma janela de esperança.

Estratégia institucional. Existe algum valor para a educação adventista nesses rankings? Como as faculdades e universidades podem se beneficiar deles? As instituições podem ponderar sobre essa questão a partir de, pelo menos, três grandes perspectivas, a saber: (1) aceitar os rankings como uma medida precisa da qualidade; (2) rejeitar os rankings, considerando-os irrelevantes; e (3) avaliá-los cuidadosamente e usar seus resultados de forma responsável. A primeira e a segunda opções denotam uma falta de compreensão sobre como os rankings funcionam e influenciam pessoas e instituições. Já a terceira opção fornece uma abordagem mais sábia. Isso significa que, embora as universidades não concordem com todos os indicadores e resultados gerais, podem utilizá-los judiciosamente como ferramentas de marketing. As escolas podem assim, melhorar sua posição ou ranking apoiando uma estratégia proativa para avançar alguns indicadores que estão alinhados com a sua missão institucional. Por exemplo, melhorar suas taxas de graduação e retenção (ver Tabela 2) é um importante fator de classificação no USNWR e também representa um resultado muito positivo para qualquer faculdade. O mesmo é verdade sobre as doações de ex-alunos e a expansão da pesquisa. Outros indicadores podem ser mais controversos, como a seletividade. Por exemplo, nos Estados Unidos, todas as instituições querem os melhores alunos possíveis, mas a sua seleção baseada principalmente nos resultados de ACT e SAT pode não ser tão justa. As práticas alternativas e complementares podem produzir melhores resultados a longo prazo se o objetivo for servir o público adventista. No final, trata-se de uma escolha institucional.

Outra maneira prática de as instituições usarem os rankings a seu favor é relatar, em catálogos e páginas da web, qualquer aspecto de um programa premiado ou classificado que apresente as características exclusivas da instituição. Isso também é útil para as escolas que não conseguem se classificar em uma posição geral por meio de um sistema de classificação. Da mesma forma, o uso de diferentes tipos de classificação derivados de uma ampla gama de critérios de qualidade é benéfico. Em outras palavras, o que não é visível de uma forma pode ser visível de outra.

Além disso, as universidades podem desenvolver estratégias não convencionais para “contrabalançar” algumas das percepções negativas promovidas pelos rankings. Por meio de uma página da web e/ou folhetos promocionais, por exemplo, as instituições podem descrever como os rankings são desenvolvidos e os critérios que eles usam para avaliar a qualidade. Isso lhes permitirá explicar e promover os fatores mais inerentes ao Ensino Superior adventista. Algumas instituições podem usar isso como uma estratégia-chave que pode ser chamada de Critérios Adicionais de Qualidade para alunos potenciais. Algumas áreas potenciais que as escolas podem enfatizar são as seguintes:

1. Propósito. A missão da educação adventista não é apenas preparar as pessoas para o emprego e o sucesso econômico, mas também imprimir nelas uma cosmovisão cristã. A educação adventista não rejeita a dimensão espiritual da aprendizagem pelo fato de ser difícil medi-la cientificamente. Ela expõe os alunos a todos os elementos da realidade e busca desenvolver pessoas íntegras que abracem uma cosmovisão bíblica cultivada por meio de experiências como serviços de capelania, seminários, serviços religiosos, cultos, pequenos grupos e atenção pessoal dos professores. Para abraçar com êxito e decidir integrar em sua vida o que a Bíblia endossa, os alunos precisam de um relacionamento pessoal com Deus. O objetivo final é redentivo. Nesse processo de desenvolvimento de caráter, os jovens abraçam valores que impactam suas práticas profissionais subsequentes e seu estilo de vida. Assim, as escolas adventistas oferecem aos seus alunos orientação para unificar seus valores pessoais e profissionais. Dessa forma, o propósito da educação adventista pode ser equiparado a ajudar os alunos a desenvolver uma cosmovisão que influencia todas as suas dimensões pessoais e profissionais. As universidades públicas também procuram maneiras de impactar seus alunos, mas o foco tende a ser em abordagens humanistas que levam a uma ênfase excessiva na pesquisa e em produções profissionais como sendo o futuro para esses alunos e para a sociedade. O Ensino Superior adventista oferece uma diferença significativa!

2. Currículo. As universidades seculares integram literatura e conhecimento com abordagens materialistas, o que significa que a orientação transmitida pelos livros religiosos, como a Bíblia, foi negligenciada em decorrência do foco em argumentos científicos e humanistas. No entanto, essas obras devem ser estudadas como uma fonte de sabedoria para a vida. Na faculdade ou universidade adventista, o currículo mistura ciência e fé de forma complementar, em vez de excluir qualquer fonte legítima de informação. Além disso, a fé é integrada em todas as matérias ensinadas no currículo, proporcionando aos alunos múltiplas oportunidades para crescer e compreender como a fé afeta suas decisões e escolhas. O envolvimento em atividades acadêmicas e extracurriculares reforça a importância do relacionamento pessoal do aluno com Deus. Essa abordagem ajuda os alunos a se tornarem mais sábios, impactando sua vida pessoal e seu crescimento profissional. Ellen White enfatizou essa questão: “A força de nossa escola está em manter o elemento religioso em ascendência.”16 Através do currículo, as universidades e faculdades adventistas têm a oportunidade de criar ambientes onde os alunos podem experimentar a renovação da mente bem como entender e agir baseados em suposições bíblicas por meio de uma relação pessoal com Deus.

3. Ensino. Os membros do corpo docente desempenham um papel fundamental, não só por meio do que ensinam, mas também pelo que eles representam com sua própria vida de cristãos ativos. Assim, os professores devem incorporar a missão institucional para evitar o envio de mensagens duplas a alunos que procuram modelos baseados em exemplos vivos. Eles devem orientar e aconselhar os alunos ao longo do processo de aprendizagem, ajudando-os a se adaptarem à vida real e encorajando-os a entregar seu coração a Cristo. Ao mesmo tempo, esses professores devem ser profissionais altamente considerados que contribuam para a sua comunidade profissional e acadêmica e promovam a excelência acadêmica em seus alunos.

4. Alunos. A maioria dos alunos reconhece a importância de uma dimensão espiritual em sua vida e deseja aprimorá-la por meio de interações com instrutores e amigos e de experiências extracurriculares, tais como adoração e serviços de capelania, oferecidos por sua faculdade ou universidade. O Ensino Superior permite aos alunos modificar a sua compreensão das necessidades pessoais e profissionais e a adaptação a novos desafios. Tudo isso acontece no contexto do campo disciplinar que escolheram, enriquecendo o desempenho de sua futura carreira. Os alunos devem deixar a universidade com um nítido senso de missão pessoal com base em uma cosmovisão bíblica e um compromisso de serviço dentro de sua profissão. Isso dará aos graduados uma espinha dorsal moral essencial para a sociedade e a economia atuais, bem como um envolvimento com a comissão evangélica.17

5. Interação com a cultura. As faculdades e universidades adventistas devem se esforçar para posicionar-se como defensoras regionais, nacionais ou mesmo internacionais de uma visão proativa do paradigma que abraçam. Ao produzir mudanças positivas nos alunos e nas comunidades, as universidades se tornam organizações que têm impacto científico e social. Em última análise, essas instituições se tornam uma contracultura que busca influenciar todas as dimensões do esforço humano.

Essas são algumas das contribuições reais da maioria das faculdades e universidades adventistas; contribuições que podem, em muitos casos, passar despercebidas por alunos potenciais. Assim, com exemplos e casos para ilustrar os Critérios Adicionais de Qualidade, as instituições podem demonstrar melhor sua qualidade.

Pensamentos finais

Embora o número de rankings esteja crescendo e essas comparações estejam impactando faculdades adventistas e universidades em todo o mundo, há também evidências de que as instituições podem desenvolver seus próprios modelos e estratégias para atrair novos alunos. A pressão para “se encaixar” é grande e pode distorcer os paradigmas essenciais e a missão que fornece a lógica para operar uma faculdade ou universidade, como as operadas pela Igreja Adventista.18 Há uma necessidade de tornar explícita a forma como os rankings podem servir de ferramentas fortes e estratégicas de marketing para se conectar com os futuros alunos. Talvez o maior desafio que as faculdades e universidades adventistas enfrentem é saber exatamente como lidar com pressões para “alinhar” as tendências dominantes e permanecer relevantes sem comprometer suas características essenciais.

Este artigo foi revisado por pares.

Gustavo Gregorutti

Gustavo Gregorutti, PhD, é professor de Liderança e Ensino Superior na Andrews University em Berrien Springs, Michigan, Estados Unidos. Dr. Gregorutti tem lecionado e trabalhado como administrador em vários países nos diferentes níveis de educação adventista. Sua agenda de pesquisa inclui questões como a produtividade da pesquisa do corpo docente, a garantia da qualidade e estudos comparativos do Ensino Superior. Ele é autor de vários artigos, capítulos e livros e atualmente está cursando um segundo doutorado em Educação Superior na Universidade Humboldt, em Berlim, na Alemanha. Seu endereço de e-mail é ggregoru@andrews.edu.

Citação recomendada:

Gustavo Gregorutti, “Faculdades e universidades adventistas e os rankings todo-poderosos,” Revista Educação Adventista 41:1 (Janeiro–Março, 2017). Available at https://jae.adventist.org/pt/2017.2.6.pt.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. U.S. News and World Report (USNWR) começou sua classificação anual das faculdades no início dos anos 1980. Para mais informações, veja “About U.S. News & World Report,” U.S. News & World Report. Disponível em: <http://www.usnews.com/info/features/about-usnews?int=a60f09>.
  2. Times Higher Education World University Rankings e QS Stars University Rankings eram parceiros, mas eles se separaram em 2010, e a QS Stars começou sua própria classificação.
  3. Simon Marginson e Marijk van der Wende, “To Rank or to Be Ranked: The Impact of Global Rankings in Higher Education,” Journal of Studies in International Education 11:3-4 (out./inv. 2007): 306-329, DOI: 10.1177/1028315307303544.
  4. E. Anthon Eff, Christopher C. Klein, e Reub n Kyle, “Identifying the Best Buys in U.S. Higher Education,” Research in Higher Education 53:8 (dezembro de 2012): 860-887, DOI: 10.1007/s11162-012-9259-2.
  5. Andrejs Rauhvargers, Global University Rankings and Their Impact: EUA Report on Rankings (Brussels: European University Association, 2011).
  6. Anthony F. J. van Raan, “Fatal Attraction: Conceptual and Methodological Problems in the Ranking of Universities by Bibliometric Methods,” Scientometrics 62:1 (2005): 133-143.
  7. Robert B. Archibald e David H. Feldman, “Graduation Rates and Accountability: Regressions versus Production Frontiers,” Research in Higher Education 49:1 (fevereiro de 2008): 80-100, DOI: 10.1007/s11162-007-9063-6; John F. Burness, “The Rankings Game: Who’s Playing Whom?” The Chronicle of Higher Education 55:2 (setembro de 2008): A80; James E. Eckles, “Evaluating the Efficiency of Top Liberal Arts Colleges,” Research in Higher Education 51:3 (maio de 2010): 266-293, DOI: 10.1007/s11162-009-9157-4.
  8. Mu-Hsuan Huang, “A Comparison of Three Major Academic Rankings for World Universities: From a Research Evaluation Perspective,” Journal of Library and Information Studies 9:1 (junho de 2011): 1-25.
  9. Ellen Hazelkorn, Rankings and the Reshaping of Higher Education: The Battle for World-Class Excellence, 2nd ed. (Basingstoke, GBR: Palgrave Macmillan, 2015).
  10. Gustavo Gregorutti, Following the Path from Teaching to Research University: Increasing Knowledge Productivity (Newcastle, UK: Cambridge Scholars Publishing, 2011).
  11. Anthony T. Kronman, Education’s End: Why Our Colleges and Universities Have Given Up on the Meaning of Life (New Haven, CT: Yale University Press, 2007).
  12. Para mais detalhes, ver Catherine Rampell, “Top Colleges for Producing Graduates Who Make the World a Better Place,” The Washington Post, 11 de setembro de 2014. Disponível em: .
  13. The Cooperative Institutional Research Program (CIRP) – Programa de Pesquisa Institucional Cooperativa – parte do Conselho de Pesquisa em Educação Superior, conduziu o estudo longitudinal nacional mais abrangente e empírico do Ensino Superior americano coletando dados de mais de 1.900 instituições, 15 milhões de estudantes e mais de 300.000 docentes desde1973. Lorelle L. Espinosa, Jennifer R. Crandall e Malika Tukibayeva, Rankings, Institutional Behavior, and College and University Choice Framing the National Dialogue on Obama’s Ratings Plan (Washington, DC: American Counsel on Education, 2014).
  14. Ibid., 2.
  15. Ibid.
  16. Ellen G. White, Testemunhos para a igreja, v. 5, pág. 14. Disponível em: .
  17. George R. Knight, “Adventist Education and the Apocalyptic Vision, Part II,” The Journal of Adventist Education 69:5 (verão de 2007): 4-9.
  18. Gregorutti, Following the Path.